quarta-feira, dezembro 19, 2012

Soberania & Salvação!!!


“Porque ele diz a Moisés: ‘Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e compaixão de quem eu quiser ter compaixão. Assim, isso não depende da vontade nem do esforço de alguém, mas de Deus mostrar misericórdia’”. (Rm 9.15-16)
Muitos asseveram que Deus é o soberano Senhor do universo. Dos seus púlpitos bradam com vozes de trovão que Deus é soberano e que tudo está sobre o seu cotrole soberano. Contudo, quando se aproxima o término dos cultos, Deus perde uma parte de sua soberania. Infelizmente na maioria das igrejas o público é ensinado que pode escolher ser salvo, como se isso fosse uma decisão facultada ao homem que se encontra morto em delitos e pecados. Creio que o texto de romanos citado acima não é tido em alta conta nos dias de hoje, uma vez que ele expressa claramente a soberania de Deus na salvação, e Paulo vai mais além declarando que não depende da vontade e nem do esforço de alguém, mas unicamente de Deus revelar sua misericórdia ao pecador miserável e assim convencê-lo do pecado, da justiça e do juízo e dessa forma alcançá-lo com a sua irresistível e soberana graça resgatando-o do império das trevas.
O profeta Jonas relata que a salvação pertence ao Senhor (Jn 2.9)! Então eu me pergunto: “Como é que diante de uma tão pura e irrefutável verdade, homens colocam a salvação coo se fosse algo que partisse do homem e que sobre ela ele tivesse poder de decisão”?  Isso totalmente antibíblico! Asseverar que o homem tem o direito de escolha sobre a salvação e incorrer em um grande erro. Podemos tomar como exemplo da soberania de Deus na salvação, o patriarca Noé. Diz-nos o texto sagrado que Noé achou graça aos olhos de Deus. A palavra graça significa literalmente favor imerecido, ou seja, imerecidamente Noé foi escolhido, juntamente com sua família, para sobreviver ao dilúvio que varreria a raça humana totalmente depravada e corrompida da face da terra. Será que a Noé foi facultado o direito de escolher ser salvo ou não do dilúvio?
Como foi com Noé na época do dilúvio, assim é nos dias de hoje. A salvação não depende do homem! A salvação é um ato totalmente monergistico (o homem tem zero de participação), é um ato da soberana vontade de Deus, onde a vontade humana depravada e escrava do pecado se rende a vontade soberana, boa, agradável e perfeita pelo agir sobrenatural do Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8).
Pregar que o homem tem direito de escolher por si só ser ou não salvo é negar o evangelho da cruz de Cristo. O próprio Jesus disse que ninguém poderia se chegar até ele se o pai não o conduzisse até aos pés da cruz, o que só acontece pelo agir sobrenatural do Espírito Santo quebrantando o coração de pedra do pecador miserável.
Muitos não pregam acerca da soberania de Deus na salvação pelo simples fato de que não aceitam que um Deus segundo a sua soberana, boa, agradável e perfeita vontade escolha uns para a salvação e outros para a danação eterna. É mais fácil, devo confessar, e bem mais aprazível pregar apenas que Deus é amor, e não que Ele seja um Deus severo e que não passamos de pecadores nas mãos de um Deus irado, como pregou o grande Jonathan Edwards. Será que nas Bíblias desses pregadores não está escrito que Aquele que viria após João Batista nos batizaria com o Espírito Santo e com fogo? Porque o Espírito Santo aqui significa o selo que está no coração de todo aquele que foi convencido pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo. Enquanto que o fogo significa a consumação daqueles que tiveram os seus corações endurecidos (a exemplo de Faraó que teve o seu coração endurecido por Deus) e que não tem o selo do Espírito Santo de Deus, ou seja, o seu lugar e no lago de fogo e enxofre.
Acredito que o inesquecível e impactante sermão pecadores nas mãos de um Deus irado, do puritano Jonathan Edwards, não encontraria espaço na maioria das igrejas de hoje. Gostaria de ver todo o estardalhaço que tal sermão causou e confesso que gostaria que minha vida fosse impactada tais quais as vidas que ouviram pessoalmente, pois vivemos em um marasmo espiritual terrível a ponto de entregarmos aos homens o direito de escolherem ou não serem salvos! Esse sermão revelou a face irada e Deus e desmistificou a ilusão de que Deus por ser pleno em amor não pode irar-se contra suas criaturas pecaminosas. Um Deus irado contra uma humanidade decaída e depravada, mas este sermão também revelou a face misericordiosa de Deus. Um Deus misericordioso que mesmo em face ao pecado imerecidamente convoca pecadores ao arrependimento e consequentemente á salvação.
Hoje a face irada de Deus é escondida por detrás de uma infinidade de palavras que enaltecem apenas a face bondosa desse Soberano Deus, contudo, os que pregam tais palavras, o fazem no intuito de deixar o homem em uma condição de igualdade com Deus no que tange a salvação. É como se Deus e homem fossem sócios e cada um detivesse 50% de poder de decisão sobre a salvação, contudo ainda sendo sócios em pé de igualdade cabe ao homem a decisão final acerca da salvação. Isso é um absurdo sem tamanho!
Ensinar que o homem tem direito de escolha e que dessa forma pode interferir em sua salvação e desmerecer o sacrifício expiatório e perfeito de Cristo.
Os reformadores lutaram com todas as forças e alguns deles pagaram com suas próprias vidas defendendo a supremacia e autoridade das Sagradas Escrituras, e acima de tudo a soberania de Deus. Hoje esse legado é deturpado! Será que os pregadores que ensinam que o homem tem poder de decisão na salvação nunca lerem “porque é Deus que efetua tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fl 2.12). Paulo afirma com isso que é Deus que produz em nós desejo de salvação, ou seja, como bem disse C. S. Lewis após um autoexame: “Pela primeira vez examinei a mim mesmo com o propósito seriamente prático. E ali encontrei o que me assustou: um bestiário de luxúrias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados.” Como alguém assim pode ter poder de decisão acerca da salvação?
Jonas escreveu: “A salvação pertence ao Senhor!” (Jn 2.9).

Ou Deus é soberano ou não!!!

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira


 

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Provações & Fé!!!!!


Oscilamos em nossa fé! Em nossa caminhada cristã em muitos momentos, nos sentimos cansados das urdiduras da vida, mas, “quem disse que a vida é um mar de rosas?” Nesses momentos as dúvidas e os medos povoam a nossa mente, fazendo com que nos sintamos mais impotentes e inúteis do que já somos.
Profeta Jeremias nos diz o seguinte: “Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade” (Jr 3.27) Como vemos não podemos dissociar as agruras da vida cristã, contudo é benéfico para nós suportá-las. Ao escrever este artigo vem a minha mente as palavras do grande reformador Martinho Lutero: “A minha fé foi forjada na bigorna da provação”, e incontáveis provações Lutero suportou.
Outro grande exemplo de provação me vem à memória o piedoso John Bunyan, autor da grande pérola da literatura cristã, a saber, O Peregrino. Bunyan, por não se conformar com o regime político da Inglaterra que ditava os caminhos que a igreja e o evangelho deveriam trilhar, foi condenado a prisão perpetua, a Bunyan foi concedida a liberdade desde que ele não pregasse mais o evangelho, mas ele ousadamente falou: “me solte, e amanhã estarei pregando”, dessa forma Bunyan suportou doze longos anos de reclusão na prisão de Bedford, e tudo o que ele pediu foi que Deus lhe concedesse a força para que fosse capaz de suportar as agruras que o cárcere viria lhe trazer.
O apostolo Paulo registrou em sua segunda epístola aos Coríntios: “sofremos pressões de todos os lados, mas não estamos arrasados, ficamos perplexos, mas não desesperados. Somos perseguidos, mas não desamparados, abatidos, mas não destruídos” (II Cor. 4.8-9) Paulo era um “expert” no que dizia a respeito das provações. Ao nos debruçarmos sobre a vida deste gigante da fé Cristã, vemos o quanto de provações alguém que tem sua vida para glória de Deus pode suportar.
O evangelho da prosperidade ensina que estamos enfrentando provações e sofrimentos, por vivermos em pecado e consequentemente sem “um pingo” de fé que seja em nossos corações. Contudo, quem responde ao evangelho da prosperidade é o próprio Cristo: “No mundo terais aflições, mas tende bom ânimo!” Deus não nos deixou exime de passarmos por provações, mas, ao contrário somos levados a passar por ela para que sejamos experimentados e assim aprendemos a ser perseverantes nas tribulações. Paulo vai além “... mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança e a perseverança à aprovação, e a aprovação a esperança” (Rm 5. 3-4). Creio que esses versos não estão entre os favoritos dos defensores da Teologia da Prosperidade, uma vez que endossam que a vida cristã é uma luta de sofrimentos, provações e terríveis e incessante luta em nome da fé em Jesus Cristo.
Ao finalizar este artigo vem ao meu coração o refrão da maravilhosa canção do Grupo Logos: “pois eu sei que jamais eu provado serei, além do que eu possa suportar, e se ainda eu cair e pensar que é o fim, Jesus me ergue e segue junto a mim”.
Lutas, dores, angustias, sofrimentos! Tudo isso faz parte da caminhada cristã de tais coisas não podemos fugir. Temos que enfrentar tudo isso com galhardia e acima de tudo com os olhos fitos no autor e consumador da nossa fé!
Encerro este artigo relembrando o lema que era seguido pelos Moráveis: “Vicit agnus noster eum sequamur- Venceu o nosso cordeiro, vamos seguí-lo!”.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude em nossa caminhada cristã rumo à pátria celestial!!!

Soli Deo Glória!!!

Joel da Silva Pereira

sábado, dezembro 01, 2012

Boa, Agradável e Perfeita!!!


“... para que experimenteis qual seja boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2b) é assim que o apóstolo Paulo finaliza o segundo verso do décimo segundo capítulo de sua epístola aos Romanos. Trata-se de uma das mais maravilhosas verdades do evangelho da graça de Cristo. Essa passagem nos revela a grandeza da vontade soberana do nosso Deus. Contudo, em nossos dias a vontade de Deus só se torna boa, agradável e perfeita se estiver submissa aos caprichos e mimos de uma geração corrompida e depravada que insiste em desafiar a soberana e irresistível vontade do Criador e subjugá-la a seus torpes desejos.
O “cristão” hoje acha-se no direito de controlar a vontade de Deus  além disso determina o dia e o que Deus tem que fazer para seu próprio bem. Deus está refém dos desejos malignos de uma humanidade tola e vil. Isso tudo é fruto de uma deturpação e de uma má interpretação escancarada das Sagradas Escrituras, quantas almas neste momento estão cativas desse torpe ensino apregoados por homens que se dizem arautos do evangelho da graça de Cristo, mas, que não passam de lobos em pele de cordeiro que devoram as casas das viúvas e que fazem dos seus discípulos duas vezes mais filhos do inferno do que eles mesmos.
Tais pregadores nunca experimentaram a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, uma vez que a única vontade que eles defendem e pregam é sua própria vontade vil e pecaminosa que é incapaz de se submeter a Deus espontaneamente uma vez que é uma fiel serva do pecado.
Em sua boa e irresistível vontade, Deus ao criar o homem, por sua onisciência, sabia que o mesmo cairia e Dele se afastaria e dessa forma toda a sua descendência seria rebelde e obstinada e que jamais por vontade própria escolheria se arrepender e se voltaria para Deus de todo o seu coração, uma vez que a humanidade que está longe de Deus está morta em delitos e pecados (Ef 2.1).
Em sua agradável e irresistível vontade, Deus se agradou de moer o seu filho unigênito (Is 53.10) por amor daqueles que o Espírito Santo covenceu e ainda convencerá do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Também em sua agradável e irresistível vontade, logo depois da triste confissão de nossos pais no Éden, Deus nos revela que viria ao mundo Aquele que pisará a cabeça da serpente (Gn 3.15), e essa é primeira profecia acerca do Messias, e que os estudiosos chamam de o protoevangelho.
Em sua perfeita e irresistível vontade, Deus se fez carne e habitou entre nós. O verbo de Deus, o Logos se fez carne e tabernaculou entre nós, cheio de graça e de verdade (Jo 1.14). Contudo, mesmo sendo Deus não considerou o fato de ser igual a Deus, era algo a que devesse se apegar, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo e tornando-se semelhante aos homens (Fp 2.5-7). Creio que estes versos não estão entre os preferidos dos pastores da moda. Pois admitir que Deus se humilhou, na visão deturpada deles, é o mesmo que admitir que Deus não é onipotente, pois esse é o atributo divino mais enfatizado por eles em suas verborragias infindáveis. Seria bom que eles se esvaziassem de seus tão já inflados egos e buscassem a plenitude do Espírito Santo de Deus e consequentemente a sua sabedoria e dessa forma pelo agir sobrenatural do Espírito Santo se voltassem para Deus e para a sua santa e bendita Palavra de forma sadia e ungida e não torpe e vil como fazem hoje.
Os homens têm que se conscientizar de que somente a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita, enquanto que ao mesmo tempo têm que cair e em si como o grande C. S. Lewis caiu e expressou da seguinte forma: “Pela primeira vez examinei a mim mesmo com o propósito seriamente prático. E ali encontrei o que me assustou: um bestiário de luxúrias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados”. Essa frase de Lewis resume bem o que é a vontade humana quando esta é escrava do pecado e nos serve de alerta para que saibamos que a vontade soberana de Deus não está e nunca estará cativa de nossos mimos vis e escravos o pecado. E também nos deixar atentos para o fato de que por nossa própria vontade ou méritos podemos nos render a tão irresistível vontade, uma vez de que tudo depende de Deus exercer sua misericórdia com quem Ele quiser ser misericordioso e isso não depende da vontade nem do esforço de alguém, mas de Deus mostrar misericórdia (Rm 9.15-16). Que os homens de hoje possam ouvir, e atendam ao pedido que Martinho Lutero fez a igreja medieval na época da reforma protestante: “Deixem Deus ser Deus!”.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira