quarta-feira, março 13, 2013

Obscuridade Bíblica!!!!



Estamos vivenciando dias de uma obscuridade bíblica tremenda. O que tenciono dizer com isso? “Nossa única fonte de regra, fé e prática tem sido absurdamente negligenciada!” o profeta Oséias disse acerca da corrupção geral de Israel: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento” (Os 4.6). A história bíblica é repleta de informações acerca da inconstância e da negligência do povo de Deus para com a sua santa, rica e bendita palavra. Essa inconstância atraiu por diversas vezes a ira santa e justa de Deus que caiu sobremaneira sobre o seu povo, que mesmo tendo sido severamente castigado continuava distante de Deus e de sua palavra! Como se não bastasse os desvios relatados nas Sagradas Escrituras, temos o relato da própria história do cristianismo que nos mostra os dois lados da moeda, por assim dizer, de um lado temos um igreja cheia de homens que depravados que deturpavam as Santas Letras em nome de seus próprios interesses escusos e assim mantiveram o povo por um longo período afastado das Santas Letras. De outro lado àqueles que foram levantados por Deus para serem usados com instrumentos para servirem de guias no intuito de tirar o povo da obscuridade escriturística na qual o rebanho de Cristo estava mergulhado.
O que podemos ver nisso é que Deus tem prazer em sua e vela sobre ela para cumpri-la como bem nos informa o profeta Jeremias (Jr 1.12), pois mesmo em tempos difíceis e de obscuridade e negligência bíblica Deus sempre dispôs de instrumentos e meios para que a sua Palavra não fosse esquecida e nem ensinada de maneira deturpada. Em dias como nossos devemos tomar a mesma atitude do salmista e guardar a Palavra de Deus em nossos corações (Sl 119.11).
Mesmo nas épocas mais sombrias, onde o povo estava mergulhado na mais profunda e densa cegueira e ignorância bíblica, Deus nunca deixou que o povo ficasse sem ouvir a sua palavra, salvo a exceção do período interbíblico (período de aproximadamente 400 anos onde o povo ficou sem nenhum tipo de revelação da parte de Deus). Deus fez uso de homens e mulheres ao longo da história para que o povo se voltasse para Ele e para a sua Palavra e nela encontrasse a plena revelação de Deus aos homens, e dessa maneira entendessem que o Verbo se fez carne e tabernaculou entre nós.
Quando falamos de homens que lutaram pela autoridade infalível das Escrituras Sagradas sempre nos lembraremos dos reformadores. Só que não devemos esquecer que antes dos reformadores, Deus levantou outros tantos que com amor defenderam as Santas Letras e que tinham os seus corações inflamados por um verdadeiro zelo por Deus e por sua santa palavra. Dentre tais homens podemos citar John Wycliff que ficou conhecido como a Estrela D’alva da Reforma e o teólogo e pensador tcheco Jan Huss. Huss pagou com a vida o amor que nutria e expressava por Cristo e por sua palavra! “Seríamos capazes de enfrentar a morte por amor a Cristo e pelas Santas Letras?”
No período pós-reforma Deus agiu poderosamente em prol de sua Palavra. Nesse período surgiram grandes vultos, dentre eles citamos: John Knox, Charles Haddon Spurgeon, os irmãos Wesley (John e Charles). Não podemos nos esquecer dos gigantes puritanos, e no meio deles Deus levantou verdadeiros arautos de sua bendita palavra, podemos citar,  John Owen que ficou conhecido como o princípe dos puritanos devido a sua erudição e seu amor a Deus e a sua bendita palavra, ainda temos o inesquecível e marcante John Bunyan e poderíamos ficar aqui citando nome após nome por muito tempo, mas quero dizer com isso que mesmo que as gerações se esqueçam da rica e bendita Palavra de Deus, Ele não se esquece dela pois vela sobre ela para cumpri-la e sempre levantará os seus eleitos para levarem adiante a mensagem da cruz! Porém, esses homens que Deus usou e ainda usa esses escolhidos tinha e tem algo em comum, suas vidas são consumidas por uma intima devoção e zelo constante para com Deus e com as Santas Letras.
Solano Portela, ao prefaciar o livro “Sola Scriptura” do rev. Paulo Anglada, escreveu: “talvez a igreja de Cristo esteja atravessando um dos seus mais difíceis períodos da história, no que diz respeito à acolhida do seu padrão de fé e prática: As Sagradas Escrituras”. Esse livro foi escrito em 1998, ou seja, 15 anos atrás e já era visível um declínio no tocante ao comprometimento com as Sagradas Escrituras, e esse declínio e negligência para com a palavra de Deus motivou o pastor Paulo Anglada (opinião minha) a trazer para o meio cristão um dos pilares centrais da reforma protestante, a Sola Scriptura, para trazer à nossa memória a suprema importância das Sagradas Escrituras na vida de cada servo e serva de Deus.
Encerro este post com duas citações: a primeira extraída da Confissão de Fé de Westminster que declara: “Todo conselho de Deus concernente a todas as cosias necessárias para a glória Dele e para a salvação, fé e vida do homem, ou é expressamente declarado na Escritura ou pode ser lógica e claramente deduzido dela; à qual nada, e em tempo algum, se acrescentará, seja por novas revelações do Espírito, seja por tradições humanas. Não obstante, reconhecemos ser indispensável a iluminação interior do Espiríto de Deus para o salvífico discernimento de tais coisas como se encontram reveladas nas Palavra”. A Palavra de Deus é absoluta e infalível! Que Deus nos ajude a lembramos dessa tão plena verdade que saiu da pena dos puritanos e que por sua vez é uma verdade alicerçada na inerrante e bendita Palavra de Deus. A segunda afirmação é de Solano Portela, ainda tirada do prefácio do livro “Sola Scriptura” do pastor Paulo Anglada: “A um mundo que está sem padrão, e a própria Igreja Evangélica está voltando a enterrar o seu padrão em meio a um entulho místico pseudo-espititual – a mensagem da reforma continua necessária”!

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude a guardarmos em nossos corações a sua santa, rica, bendita, absoluta, inerrante e eterna Palavra!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Um Rico e Inesquecível Legado!!!!


Nas palavras do reverendo Augustus Nicodemus Lopes: “À medida que percebemos que o mundo ocidental está se esfacelando diante dos nossos olhos, constatamos que vivemos uma crise moral terrível. Acreditamos que a solução seria um avivamento produzido pelo Espírito Santo. Em última análise, dependemos unicamente de Deus vir ao nosso encontro. Sabemos que isso aconteceu no século XVII, na época dos Puritanos. Portanto, embora estejamos aqui tratando de coisas que aconteceram entre três e quatro séculos atrás, cremos que a situação em que os Puritanos se encontravam se assemelha em muito à dos nossos dias. Acreditamos que o Senhor Jesus é o mesmo ontem, hoje e o será eternamente; que a graça de Deus é suficiente para cada geração; e que obviamente Deus não perdeu nada do Seu poder, ou do Seu amor e da Sua misericórdia. Temos toda a razão do mundo para invocá-Lo e pedir que faça o mesmo que já fez no passado”.
Essa afirmação do Dr. Augustus reforça a tese de que rico e importante legado nos foi deixado pelos puritanos. Ainda seguindo nessa linha de pensamento sobre a importância dos puritanos ouso afirmar que a seguinte afirmação bíblica: “Homens dos quais o mundo não era digno” (Hb 11.38) se aplicaria sem nenhuma sombra de dúvidas a esses gigantes espirituais que por muitos hoje nem lembrados são.
Os puritanos foram homens e mulheres que só porque se dispuseram a viver unicamente para a honra e glória de Deus foram vistos como radicais, fundamentalistas e até de fanáticos.  Por muito tempo o termo puritano foi usado de maneira pejorativa. Era como se ser um (a) puritano (a) fosse uma maldição, ou pecado!
Em uma sociedade corrompida e depravada se portar de uma maneira diferente dos ditames modistícos impostos por tal sociedade era ser um alienado, um alheio, um imprudente e até mesmo insensato. Essa era a visão que os puritanos espelhavam a um mundo que jazia (e ainda jaz) em trevas. Ser chamado de puritano era uma ofensa sem igual. Os ignorantes não entenderam nos séculos idos, e pelo visto ainda não entendem hoje, que ser puritano estava longe de ser um alienado ou um pária da sociedade como foram pintados os puritanos. Muito pelo contrário, ser puritano era ser cristão na pessoa de Cristo e viver de uma maneira que pudessem experimentar a boa, agradável e perfeita  soberana vontade de Deus.
Arraigados nas antigas doutrinas da graça, os puritanos viviam, como muito bem afirmou o saudoso John Stott séculos depois, “uma contracultura cristã”!
Tendo sua fé alicerçada unicamente em Cristo Jesus, os puritanos romperam com a liturgia morta da igreja medieval. A igreja medieval além de estar morta em seus delitos e pecados se afundava em um legalismo litúrgico que só imputava mais e mais peso as pessoas, tal quais os clérigos fizeram anos com as indulgências nos anos antes e durante a reforma protestante de 1571.
Os puritanos hastearam a bandeira do genuíno evangelho de Cristo em seus corações, e com suas vidas faziam com essa bandeira tremulasse sempre. Eles procuravam em tudo o que faziam glorificar a Deus. Eles tinham em suas mentes a seguinte pergunta: “Qual o fim principal do homem?” e em seus corações e em suas vidas a resposta para essa pergunta: “Glorificar a Deus e gozá-lo para sempre”!
O legado dos puritanos é uma das mais ricas heranças da história do cristianismo. Não que fossem perfeitos, supercrentes ou infalíveis, mas sim porque com todas as suas falhas, imperfeições e pecados eles entregaram suas vidas a um viver santo e bíblico em nome de um Deus vivo e verdadeiro que os tinha escolhido e destinados à salvação desde antes da fundação do mundo.
Nas palavras de Erroll Hulse: “o legado da teologia puritana, de tempos em tempos pode ser encontrada em pastores e líderes extraordinários”. Podemos citar dentre estes extraordinários o princípe dos pregadores, a saber, Charles Haddon Spurgeon, e o não menos importante, o Dr. Martyn Lloyd-Jones.
Em um mundo vil e depravado como o nosso e que para piorar a maioria das igrejas estão em igualdade ou em alguns aspectos piores que o mundo que jaz em trevas me junto a Erroll Hulse quando ele diz que “o testemunho da santidade e sã doutrina dos puritanos é mais relevante do que nunca neste milênio”.
Que Deus nos ajude a relembrarmos (para alguns) e descobrirmos (para uma imensa maioria que desconhece o legado dos puritanos) que história fascinante é a dos puritanos, pois se eles conseguiram servir a Deus de uma maneira exemplar e que glorificava e honrava a Deus, nós também podemos seguir tão maravilhoso e verdadeiro exemplo.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira

P.S. Esse artigo é apenas uma parte acerca dos puritanos que postaremos aqui no Espaço Reformado!!


quarta-feira, dezembro 19, 2012

Soberania & Salvação!!!


“Porque ele diz a Moisés: ‘Terei misericórdia de quem eu quiser ter misericórdia e compaixão de quem eu quiser ter compaixão. Assim, isso não depende da vontade nem do esforço de alguém, mas de Deus mostrar misericórdia’”. (Rm 9.15-16)
Muitos asseveram que Deus é o soberano Senhor do universo. Dos seus púlpitos bradam com vozes de trovão que Deus é soberano e que tudo está sobre o seu cotrole soberano. Contudo, quando se aproxima o término dos cultos, Deus perde uma parte de sua soberania. Infelizmente na maioria das igrejas o público é ensinado que pode escolher ser salvo, como se isso fosse uma decisão facultada ao homem que se encontra morto em delitos e pecados. Creio que o texto de romanos citado acima não é tido em alta conta nos dias de hoje, uma vez que ele expressa claramente a soberania de Deus na salvação, e Paulo vai mais além declarando que não depende da vontade e nem do esforço de alguém, mas unicamente de Deus revelar sua misericórdia ao pecador miserável e assim convencê-lo do pecado, da justiça e do juízo e dessa forma alcançá-lo com a sua irresistível e soberana graça resgatando-o do império das trevas.
O profeta Jonas relata que a salvação pertence ao Senhor (Jn 2.9)! Então eu me pergunto: “Como é que diante de uma tão pura e irrefutável verdade, homens colocam a salvação coo se fosse algo que partisse do homem e que sobre ela ele tivesse poder de decisão”?  Isso totalmente antibíblico! Asseverar que o homem tem o direito de escolha sobre a salvação e incorrer em um grande erro. Podemos tomar como exemplo da soberania de Deus na salvação, o patriarca Noé. Diz-nos o texto sagrado que Noé achou graça aos olhos de Deus. A palavra graça significa literalmente favor imerecido, ou seja, imerecidamente Noé foi escolhido, juntamente com sua família, para sobreviver ao dilúvio que varreria a raça humana totalmente depravada e corrompida da face da terra. Será que a Noé foi facultado o direito de escolher ser salvo ou não do dilúvio?
Como foi com Noé na época do dilúvio, assim é nos dias de hoje. A salvação não depende do homem! A salvação é um ato totalmente monergistico (o homem tem zero de participação), é um ato da soberana vontade de Deus, onde a vontade humana depravada e escrava do pecado se rende a vontade soberana, boa, agradável e perfeita pelo agir sobrenatural do Espírito Santo que convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8).
Pregar que o homem tem direito de escolher por si só ser ou não salvo é negar o evangelho da cruz de Cristo. O próprio Jesus disse que ninguém poderia se chegar até ele se o pai não o conduzisse até aos pés da cruz, o que só acontece pelo agir sobrenatural do Espírito Santo quebrantando o coração de pedra do pecador miserável.
Muitos não pregam acerca da soberania de Deus na salvação pelo simples fato de que não aceitam que um Deus segundo a sua soberana, boa, agradável e perfeita vontade escolha uns para a salvação e outros para a danação eterna. É mais fácil, devo confessar, e bem mais aprazível pregar apenas que Deus é amor, e não que Ele seja um Deus severo e que não passamos de pecadores nas mãos de um Deus irado, como pregou o grande Jonathan Edwards. Será que nas Bíblias desses pregadores não está escrito que Aquele que viria após João Batista nos batizaria com o Espírito Santo e com fogo? Porque o Espírito Santo aqui significa o selo que está no coração de todo aquele que foi convencido pelo Espírito Santo do pecado, da justiça e do juízo. Enquanto que o fogo significa a consumação daqueles que tiveram os seus corações endurecidos (a exemplo de Faraó que teve o seu coração endurecido por Deus) e que não tem o selo do Espírito Santo de Deus, ou seja, o seu lugar e no lago de fogo e enxofre.
Acredito que o inesquecível e impactante sermão pecadores nas mãos de um Deus irado, do puritano Jonathan Edwards, não encontraria espaço na maioria das igrejas de hoje. Gostaria de ver todo o estardalhaço que tal sermão causou e confesso que gostaria que minha vida fosse impactada tais quais as vidas que ouviram pessoalmente, pois vivemos em um marasmo espiritual terrível a ponto de entregarmos aos homens o direito de escolherem ou não serem salvos! Esse sermão revelou a face irada e Deus e desmistificou a ilusão de que Deus por ser pleno em amor não pode irar-se contra suas criaturas pecaminosas. Um Deus irado contra uma humanidade decaída e depravada, mas este sermão também revelou a face misericordiosa de Deus. Um Deus misericordioso que mesmo em face ao pecado imerecidamente convoca pecadores ao arrependimento e consequentemente á salvação.
Hoje a face irada de Deus é escondida por detrás de uma infinidade de palavras que enaltecem apenas a face bondosa desse Soberano Deus, contudo, os que pregam tais palavras, o fazem no intuito de deixar o homem em uma condição de igualdade com Deus no que tange a salvação. É como se Deus e homem fossem sócios e cada um detivesse 50% de poder de decisão sobre a salvação, contudo ainda sendo sócios em pé de igualdade cabe ao homem a decisão final acerca da salvação. Isso é um absurdo sem tamanho!
Ensinar que o homem tem direito de escolha e que dessa forma pode interferir em sua salvação e desmerecer o sacrifício expiatório e perfeito de Cristo.
Os reformadores lutaram com todas as forças e alguns deles pagaram com suas próprias vidas defendendo a supremacia e autoridade das Sagradas Escrituras, e acima de tudo a soberania de Deus. Hoje esse legado é deturpado! Será que os pregadores que ensinam que o homem tem poder de decisão na salvação nunca lerem “porque é Deus que efetua tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade” (Fl 2.12). Paulo afirma com isso que é Deus que produz em nós desejo de salvação, ou seja, como bem disse C. S. Lewis após um autoexame: “Pela primeira vez examinei a mim mesmo com o propósito seriamente prático. E ali encontrei o que me assustou: um bestiário de luxúrias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados.” Como alguém assim pode ter poder de decisão acerca da salvação?
Jonas escreveu: “A salvação pertence ao Senhor!” (Jn 2.9).

Ou Deus é soberano ou não!!!

Que o Senhor tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira


 

segunda-feira, dezembro 10, 2012

Provações & Fé!!!!!


Oscilamos em nossa fé! Em nossa caminhada cristã em muitos momentos, nos sentimos cansados das urdiduras da vida, mas, “quem disse que a vida é um mar de rosas?” Nesses momentos as dúvidas e os medos povoam a nossa mente, fazendo com que nos sintamos mais impotentes e inúteis do que já somos.
Profeta Jeremias nos diz o seguinte: “Bom é para o homem suportar o jugo na sua mocidade” (Jr 3.27) Como vemos não podemos dissociar as agruras da vida cristã, contudo é benéfico para nós suportá-las. Ao escrever este artigo vem a minha mente as palavras do grande reformador Martinho Lutero: “A minha fé foi forjada na bigorna da provação”, e incontáveis provações Lutero suportou.
Outro grande exemplo de provação me vem à memória o piedoso John Bunyan, autor da grande pérola da literatura cristã, a saber, O Peregrino. Bunyan, por não se conformar com o regime político da Inglaterra que ditava os caminhos que a igreja e o evangelho deveriam trilhar, foi condenado a prisão perpetua, a Bunyan foi concedida a liberdade desde que ele não pregasse mais o evangelho, mas ele ousadamente falou: “me solte, e amanhã estarei pregando”, dessa forma Bunyan suportou doze longos anos de reclusão na prisão de Bedford, e tudo o que ele pediu foi que Deus lhe concedesse a força para que fosse capaz de suportar as agruras que o cárcere viria lhe trazer.
O apostolo Paulo registrou em sua segunda epístola aos Coríntios: “sofremos pressões de todos os lados, mas não estamos arrasados, ficamos perplexos, mas não desesperados. Somos perseguidos, mas não desamparados, abatidos, mas não destruídos” (II Cor. 4.8-9) Paulo era um “expert” no que dizia a respeito das provações. Ao nos debruçarmos sobre a vida deste gigante da fé Cristã, vemos o quanto de provações alguém que tem sua vida para glória de Deus pode suportar.
O evangelho da prosperidade ensina que estamos enfrentando provações e sofrimentos, por vivermos em pecado e consequentemente sem “um pingo” de fé que seja em nossos corações. Contudo, quem responde ao evangelho da prosperidade é o próprio Cristo: “No mundo terais aflições, mas tende bom ânimo!” Deus não nos deixou exime de passarmos por provações, mas, ao contrário somos levados a passar por ela para que sejamos experimentados e assim aprendemos a ser perseverantes nas tribulações. Paulo vai além “... mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança e a perseverança à aprovação, e a aprovação a esperança” (Rm 5. 3-4). Creio que esses versos não estão entre os favoritos dos defensores da Teologia da Prosperidade, uma vez que endossam que a vida cristã é uma luta de sofrimentos, provações e terríveis e incessante luta em nome da fé em Jesus Cristo.
Ao finalizar este artigo vem ao meu coração o refrão da maravilhosa canção do Grupo Logos: “pois eu sei que jamais eu provado serei, além do que eu possa suportar, e se ainda eu cair e pensar que é o fim, Jesus me ergue e segue junto a mim”.
Lutas, dores, angustias, sofrimentos! Tudo isso faz parte da caminhada cristã de tais coisas não podemos fugir. Temos que enfrentar tudo isso com galhardia e acima de tudo com os olhos fitos no autor e consumador da nossa fé!
Encerro este artigo relembrando o lema que era seguido pelos Moráveis: “Vicit agnus noster eum sequamur- Venceu o nosso cordeiro, vamos seguí-lo!”.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude em nossa caminhada cristã rumo à pátria celestial!!!

Soli Deo Glória!!!

Joel da Silva Pereira

sábado, dezembro 01, 2012

Boa, Agradável e Perfeita!!!


“... para que experimenteis qual seja boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.2b) é assim que o apóstolo Paulo finaliza o segundo verso do décimo segundo capítulo de sua epístola aos Romanos. Trata-se de uma das mais maravilhosas verdades do evangelho da graça de Cristo. Essa passagem nos revela a grandeza da vontade soberana do nosso Deus. Contudo, em nossos dias a vontade de Deus só se torna boa, agradável e perfeita se estiver submissa aos caprichos e mimos de uma geração corrompida e depravada que insiste em desafiar a soberana e irresistível vontade do Criador e subjugá-la a seus torpes desejos.
O “cristão” hoje acha-se no direito de controlar a vontade de Deus  além disso determina o dia e o que Deus tem que fazer para seu próprio bem. Deus está refém dos desejos malignos de uma humanidade tola e vil. Isso tudo é fruto de uma deturpação e de uma má interpretação escancarada das Sagradas Escrituras, quantas almas neste momento estão cativas desse torpe ensino apregoados por homens que se dizem arautos do evangelho da graça de Cristo, mas, que não passam de lobos em pele de cordeiro que devoram as casas das viúvas e que fazem dos seus discípulos duas vezes mais filhos do inferno do que eles mesmos.
Tais pregadores nunca experimentaram a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, uma vez que a única vontade que eles defendem e pregam é sua própria vontade vil e pecaminosa que é incapaz de se submeter a Deus espontaneamente uma vez que é uma fiel serva do pecado.
Em sua boa e irresistível vontade, Deus ao criar o homem, por sua onisciência, sabia que o mesmo cairia e Dele se afastaria e dessa forma toda a sua descendência seria rebelde e obstinada e que jamais por vontade própria escolheria se arrepender e se voltaria para Deus de todo o seu coração, uma vez que a humanidade que está longe de Deus está morta em delitos e pecados (Ef 2.1).
Em sua agradável e irresistível vontade, Deus se agradou de moer o seu filho unigênito (Is 53.10) por amor daqueles que o Espírito Santo covenceu e ainda convencerá do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Também em sua agradável e irresistível vontade, logo depois da triste confissão de nossos pais no Éden, Deus nos revela que viria ao mundo Aquele que pisará a cabeça da serpente (Gn 3.15), e essa é primeira profecia acerca do Messias, e que os estudiosos chamam de o protoevangelho.
Em sua perfeita e irresistível vontade, Deus se fez carne e habitou entre nós. O verbo de Deus, o Logos se fez carne e tabernaculou entre nós, cheio de graça e de verdade (Jo 1.14). Contudo, mesmo sendo Deus não considerou o fato de ser igual a Deus, era algo a que devesse se apegar, mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo e tornando-se semelhante aos homens (Fp 2.5-7). Creio que estes versos não estão entre os preferidos dos pastores da moda. Pois admitir que Deus se humilhou, na visão deturpada deles, é o mesmo que admitir que Deus não é onipotente, pois esse é o atributo divino mais enfatizado por eles em suas verborragias infindáveis. Seria bom que eles se esvaziassem de seus tão já inflados egos e buscassem a plenitude do Espírito Santo de Deus e consequentemente a sua sabedoria e dessa forma pelo agir sobrenatural do Espírito Santo se voltassem para Deus e para a sua santa e bendita Palavra de forma sadia e ungida e não torpe e vil como fazem hoje.
Os homens têm que se conscientizar de que somente a vontade de Deus é boa, agradável e perfeita, enquanto que ao mesmo tempo têm que cair e em si como o grande C. S. Lewis caiu e expressou da seguinte forma: “Pela primeira vez examinei a mim mesmo com o propósito seriamente prático. E ali encontrei o que me assustou: um bestiário de luxúrias, um hospício de ambições, um canteiro de medos, um harém de ódios mimados”. Essa frase de Lewis resume bem o que é a vontade humana quando esta é escrava do pecado e nos serve de alerta para que saibamos que a vontade soberana de Deus não está e nunca estará cativa de nossos mimos vis e escravos o pecado. E também nos deixar atentos para o fato de que por nossa própria vontade ou méritos podemos nos render a tão irresistível vontade, uma vez de que tudo depende de Deus exercer sua misericórdia com quem Ele quiser ser misericordioso e isso não depende da vontade nem do esforço de alguém, mas de Deus mostrar misericórdia (Rm 9.15-16). Que os homens de hoje possam ouvir, e atendam ao pedido que Martinho Lutero fez a igreja medieval na época da reforma protestante: “Deixem Deus ser Deus!”.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira

quarta-feira, outubro 31, 2012

Reforma, urgente!!!


Chegamos a mais um trinta e um Outubro, o que marca mais um aniversário da Reforma Protestante do século XVI. A 495 anos exatos Martinho Lutero afixava nos portais da catedral de Wittenberg  as suas famosas 95 teses, esse fato deu origem ao maior movimento da igreja cristã após o derramar do Espírito Santo no dia de Pentecoste.
O que não podemos ignorar é que anos e até séculos antes de Martinho Lutero, outros homens lutaram por uma reforma na igreja, alguns deles pagaram com a própria vida, a exemplo de John Huss o reformador da Boêmia que foi queimado acusado de ser um herege. Tivemos também o grande John Wycliff que ficou conhecido como a Estrela D’alva da Reforma, todos esses homens e muitos outros tinham o sonho de ver a igreja restaurada e sendo totalmente cristocêntrica alicerçada nas Sagradas Escrituras e não nas palavras de homens falhos e pecadores.
Mais uma vez chegamos a um aniversário da reforma protestante e a maioria dos cristãos no dia 31 de outubro só se lembra de que nessa data se comemora dia das bruxas, que vergonha! Somos uma igreja sem memória!
A reforma protestante e as 95 teses de Lutero eram alicerçadas em cinco princípios plenamente bíblicos que infelizmente para os quais a igreja ao que parece virou as costas. Tais princípios que serviram de norte para a igreja reformada ficaram conhecidos como os Cinco Solas da reforma protestante, estes, exaltam a soberania de Deus e a autoridade infalível e plena das Santas Letras, são eles: Sola Scriptura (Somente a Escritura; II Tm 3.16-17), Sola Gratia (Somente a Graça; Ef 2.8-9), Sola Fide (Somente a Fé; Rm 1.17), Solus Christus (Só Cristo; At 4.12) e Soli Deo Gloria (Gloria somente a Deus; Rm 11.36). Esses princípios não encontram mais lugar na maioria dos púlpitos das igrejas atuais, uma vez que hoje tais princípios contrariam as pregações da moda, do “evangeliquês” universal que grassa as igrejas hoje e transforma as Santas Letras em um evangelho “a gosto do freguês”.
Creio que se Lutero vivesse nos dias de hoje ele se envergonharia daqueles que hoje se professam protestante, que viraram as costas para os princípios bíblicos sobre os quais foi firmada a igreja protestante e que se tornaram a base dos estudos dos reformadores e demais teólogos posteriores que seguiram o caminho preparado por Huss, Wycliff, Lutero, enfim todos quantos lutaram por amor a Cristo por uma igreja cristocêntrica e reformada pelas Sagradas Escrituras.
Será que a realidade da igreja do século XVI era diferente da que vivemos hoje? Creio que não! A realidade do século XVI relatada pela história não é tão diferente da que vivenciamos hoje. Os dogmas, desvios doutrinários e indulgências ainda estão assolando o mundo e o pior com máscaras de cristandade. São as igrejas tidas como “cristãs” que estão resgatando essa imundície e a travestindo com uma capa de cristandade e assim enganando a muitos. Essa imundície assola o meio cristão e deturpa a sã doutrina!
A doutrina hoje da maioria das igrejas é tudo, menos sã! Os reformadores lutaram para reformar a igreja e assim resgatar o ensino apostólico e com isso redirecionar o foco da igreja e assim levá-la de volta ao seu verdadeiro lugar que é o centro da vontade soberana de Deus.
É necessário reformar, e este era o lema do grande mestre francês João Calvino: “Igreja reformada, sempre se reformando”, todavia, é muito importante entender que tal reforma não é inovação, modernização do conteúdo da fé, mas, sim a restauração da compreensão desse conteúdo. Dessa maneira, a questão não se impõe com novos métodos, mas sim, com o antigo método, que implicava numa volta à palavra de Deus, para extrair dela o que realmente ensina. A Palavra de Deus é a referência. Contudo, vivemos uma crise espiritual avassaladora que nos tem levado a um total abandono da nossa tão cara herança teológica reformada.
Vemos o passado dogmático e indulgente da igreja medieval sendo resgatado e disseminado no seio da igreja de Cristo e assistimos a isso, inertes, pois, é mais fácil ir com a onda do que nadar contra ela. Tal situação não era tolerada pelos reformadores, pois, em seus corações ardia um zelo tal por Deus e por sua bendita e santa Palavra que os levava a protestarem contra tal situação mesmo que essa luta redundasse na perda de suas vidas. Tal zelo, não está em nossos corações e muito menos estaríamos dispostos a arriscar as nossas vidas em nome de uma nova reforma protestante em nossos dias; infelizmente nos deixamos conformar com esse mundo e não buscamos a renovação da nossa mente, será que se os nossos lugares na história e no tempo fossem trocados com John Huss, John Wycliff e Lutero, teríamos tamanha fé e devoção por Deus e por sua santa e bendita palavra a ponto e consideramos a possibilidade de perdermos a vida pela causa do evangelho da graça de Cristo? Será que Lutero seria abençoado pelo fruto do nosso labor se coubesse a nós a tarefa de lutar pela reforma protestante do século XVI? A nossa resposta a essa pergunta determinará o fruto da nossa lida que será colhido pela próxima geração!
Que Deus seja louvado e honrado pela vida de Huss, Wycliff, Lutero e tantos outros que lutaram para que hoje houvesse uma igreja que honra, adora e proclama o nome do Deus Eterno!!!

Que Deus nos ajude e tenha misericórdia de nós e dessa forma nos conduza a uma nova e tão necessária reforma hoje!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira
   

sexta-feira, setembro 07, 2012

Que Tempo,Que Pregação!!!


Em tempo de incertezas doutrinárias e de uma fé mercadológica chovem pregações triunfalistas e a cada dia surge uma nova leva de pregadores extravagantes. O que aconteceu com o verdadeiro evangelho da graça de Cristo? O que aconteceu com aqueles que se diziam arautos do evangelho? A resposta nos salta das páginas das Santas Letras: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrario, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceiras nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (II Tm 4.3-4). Hoje, em muitos púlpitos, a sã doutrina não é mais pregada, ensinada e muito menos defendida, pois ela causa coceiras nos ouvidos depravados da platéia.
Hoje ao que parece pregar o evangelho da graça de Cristo é uma blasfêmia. Pregar o evangelho da graça de Cristo é nadar contra a maré, uma vez que a moda é pregar o que o homem totalmente depravado e morto em seus delitos e pecados quer ouvir; uma mensagem que massageie o seu já tão inflado ego. Quem se propõe a pregar exatamente o que as Escrituras revelam é tido como antiquado, ultrapassado e ainda como fundamentalista. Confesso que prefiro ser antiquado, ultrapassado e até mesmo fundamentalista do que mercadejar a minha fé. Não posso salvar ninguém do inferno, mas, posso tornar alguém “duas vezes mais filho inferno” por pregar algo que é totalmente contrário ao evangelho da graça de Cristo (Mt 23.15).
Os pregadores que hoje mercadejam a fé, a vocação e o ministério deveriam repensar se foram mesmo chamados por Deus para estarem à frente do rebanho de Cristo. Para Lutero, “quem não prega a palavra, para o que foi chamado pela igreja, não é sacerdote de maneira alguma”. Os pregadores que não pregam mais o evangelho da graça de Cristo, e sim um pseudoevangelho, mutilam suas mensagens, açucarando-as, dando enfatizando as benesses do Evangelho e ocultando assim a santa e justa ira de Deus, a necessidade de arrependimento e os custos do que significa realmente seguir a Cristo, pois os que querem viver piedosamente em Cristo serão perseguidos (II Tm 3.12).
O evangelho deve ser pregado de maneira integral. Devemos denunciar categoricamente o pecado, asseverando que o homem morto em delitos e pecados está condenado a passar a eternidade no inferno, e que somente quando o Espiríto Santo de Deus o convencer do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8) e gerar nele um verdadeiro arrependimento e assim a regeneração é que ele terá uma nova vida em Cristo e que essa vida não pode ser alcançada por méritos humanos, pois, como bem asseverou o profeta Isaías nós somos como o imundo e nossas justiças como trapos de imundícia (Is 64.6). A salvação pertence totalmente ao Senhor (Jn 2.9)! É um erro e um desvio sério ensinar que o homem por si só pode alcançar a salvação no momento que lhe convier. Se assim fosse a Bíblia estaria mentido ao asseverar que tudo depende de Deus exercer sua rica misericórdia ou endurecer o coração do homem (Rm 9.14-18), esse texto deixa mais do que claro que o homem não contribui em nada para a sua salvação. Todavia, isso não é mais pregado na maioria dos púlpitos das igrejas hoje, pois, pregar isso é ser radical, fundamentalista, podendo até ser chamado de herege.
O pastor congregacional Jonathan Edwards escrevendo acerca os pastores de seu tempo asseverou: “devemos ser fiéis em cada parte das nossas obras ministeriais, e nos empenhar para magnificar nosso ofício. De maneira particular, devemos atentar para a nossa pregação, a fim de que ela seja não apenas sã, mas instrutiva, temperada, espiritual, muito estimulante e prescrutadora”. Creio que os mercadores da fé de hoje não dariam valor a essa assertiva por ela ir contra todo o sistema legalista de um evangelho pragmático que hoje se instalou e que se alastra avassaladoramente pelo seio da igreja. Acredito também que o excelente livro: O Pastor Aprovado, do pastor puritano Richard Baxter seria refutada pelos pastores da moda de hoje, uma vez que o livro exorta contra tudo o que esse pseudoevangelho que se prega hoje.
Precisamos de vozes que clamem nos desertos hoje, a exemplo de João Batista. Chega de falsos pastores que tomam para si títulos e nomenclaturas que não lhes convêm e que só enganam as massas com um pseudoevangelho cheio de afetos, carinhos, que nada têm do verdadeiro conteúdo do evangelho da graça de Cristo. Nas palavras do pastor Paulo Cezar do grupo Logos: “eu sinto verdadeiro espanto no meu coração em constatar que o evangelho já mudou”, essa canção do ano de 1996 já trazia a tona uma preocupação importante no tocante à deturpação do evangelho, deturpação essa que vivenciamos hoje de uma forma ainda mais nociva do que na década em que essa canção foi composta.
O Dr. Sinclair Ferguson diz “hoje há uma necessidade gritante de uma pregação da Palavra de Deus de forma mais clara, minuciosa, essencial, simples e, contudo, profunda, perscrutando os corações e iluminando as mentes. Não precisamos de mais pregadores famosos. O que precisamos é de mais pregadores residentes, eruditos e piedosos”. Precisamos de pregadores que amem e vivam de acordo com as Escrituras e que amem acima de tudo o Senhor das Escrituras que os convocou para o sagrado ministério. Que os pastores sejam homens santos, humildes, fiéis, amorosos, homens de oração, estudiosos, zelosos, evangelizadores, persistentes e ungidos pelo Espiríto Santo.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira