Nos
últimos meses eu estive envolvido na produção da minha tese de conclusão do
curso de teologia. O tema escolhido foi o padrão bíblico de santidade, apesar
de ser um excelente tema, não é sobre santidade que quero tratar nesse artigo,
mas sim sobre a necessidade do estudo na vida cristã.
Os
cristãos pensam que basta apenas ler e estudar a Palavra de Deus durante os
cultos e escolas dominicais. Ledo engano! Negligenciar o estudo sistemático das
Escrituras é negligenciar está em diálogo com Deus.
O
que será que os cristãos entendem quando leem no Salmo 1 que o prazer do homem
bem-aventurado está na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e noite? Diante
disso, não tem como isentar o cristão da responsabilidade de um estudo
sistemático da Palavra de Deus.
Analisando
um pouco a vasta e conturbada história da igreja, encontrei duas
características preponderantes nos homens e mulheres que foram usados por Deus,
a saber, uma vida de oração intensa e um esmerado estudo das Escrituras.
Não
foi a toa que Paulo exortou ao seu amado filho Timóteo: “procura-te apresentar
a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem
a palavra da verdade” (II Tm 2.15). Timóteo não poderia ser um exemplo se não
se portasse como um obreiro aprovado que manejava bem a Palavra da Verdade, e
como atender a tais requesitos sem uma vida regrada de estudo da Palavra e de
intensa oração?
Os
reformadores se encaixam como exemplos da prática do estudo sistemático e não
apenas das Escrituras, mas também da boa literatura cristã. Lutero e Calvino se
enquadram nessa definição de estudiosos. Lutero foi um grande catedrático e
Calvino o mestre de Genebra por assim dizer. O grande John Knox foi um dos
tantos que estudaram sob a tutela de Calvino em Genebra.
Um
dos maiores exemplos de cristão estudioso é o do pregador congregacional
Jonathan Edwards, um intelectual brilhante que foi escolhido por Deus para o
sagrado ministério e que no desempenho de seu ministério dedicava treze horas
do seu dia para estudar e meditar nas Sagradas Escrituras. O estudo não só na
vida do ministro, mas também na vida de qualquer cristão é algo imprescindível e
de vital importância. Contudo, como já frisei em vários artigos anteriores, os
cristãos estão envoltos em um analfabetismo bíblico tenebroso. A Bíblia está se
transformando em um mero objeto de decoração. Se os cristãos não querem ler nem
a Bíblia como eles lerão alguma literatura cristã?
Os
cristãos cada vez mais negligenciam a vida de oração e de estudo devocional das
Escrituras. O próprio Cristo nos exorta: “Examinais as Escrituras, porque julgais
ter nela a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim” (Jo 5.39). O cristão
é chamado para ser um imitador de Jesus e o único livro que fala com exatidão
acerca Dele é a Bíblia. É claro que muita literatura foi produzida acerca da
pessoa de Cristo, todavia a mais exata ainda é a Sua própria Palavra.
Nas
palavras do reverendo Hernandes Dias Lopes: “Algumas igrejas estão descambando
para o liberalismo teológico, negando os postulados essenciais da fé. Outras
estão se desviando para o misticismo sincrético, importando novidades estranhas
à Palavra de Deus, abraçando outro evangelho, e não o evangelho da graça.” Tudo
isso é com a permissão do “corpo de Cristo” que se tornou apático e ainda mais
sem vida, pois não examina mais as Escrituras que testificam sobre Cristo. Uma
vez mais ressoam em nossos corações a assertiva do profeta Oséias: “o meu povo
está sendo destruído porque lhe falta conhecimento”.
Que
Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!
Soli
Deo Gloria!!!
Joel
da Silva Pereira

