quarta-feira, setembro 19, 2018

Conhecendo Deus!!



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Como poderemos manter uma espiritualidade saudável se não conhecemos a Deus?  
Ao longo da narrativa bíblica podemos observar a presença de homens que temeram a Deus de todo o seu coração e que desenvolveram uma espiritualidade a partir de um profundo relacionamento com Deus. Essa espiritualidade bíblica diz respeito a uma clara compreensão daquilo que somos e da Pessoa de Deus com quem nos relacionamos. 

Temor, reverência, devoção, adoração, confiança e profundo desprendimento são características fundamentais para que Deus seja honrado pelo que é e para que haja um aprofundamento nesta espiritualidade que pretendemos desenvolver com Ele.

Não tem como desenvolver uma espiritualidade saudável sem conhecer a Deus. O profeta Daniel diz: “... mas o povo que conhece ao seu Deus se tornará forte e fará proezas” (Dn 11.32), ou seja, para que sejamos fortes espiritualmente e façamos proezas precisamos conhecer a Deus.
O conhecer na Bíblia é mais do que uma absorção intelectual, mais do que uma apreensão mental. Timothy Keller explica isso muito bem quando diz:

O que faz de Alguém um cristão não é tanto o fato de conhecer a Deus, mas de ser conhecido por Ele. “Conhecer” na Bíblia significa mais do que a ciência intelectual. Conhecer alguém é estabelecer um relacionamento pessoal com a pessoa.”

Tiago, o bispo de Jerusalém e irmão do nosso Senhor Jesus, em sua epístola declarou: “Quem dentre vós é sábio e entendido? Mostre pelo seu bom trato as suas obras em mansidão de sabedoria. Mas, se tendes amarga inveja, e sentimento faccioso em vosso coração, não vos glorieis, nem mintais contra a verdade. Essa não é a sabedoria que vem do alto, mas é terrena, animal e diabólica. Porque onde há inveja e espírito faccioso aí há perturbação e toda a obra perversa. Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. Ora, o fruto da justiça semeia-se na paz, para os que exercitam a paz.” (Tg 3.13-18)

O conhecer a Deus não é algo para que venhamos a nos orgulhar, mas algo que concorra para a glória de Deus. Todo conhecimento acerca de Deus deve culminar numa prática que promova glória a Deus, em comunhão com os santos, em caráter cristão, em louvor ao Trino Deus. Esse conhecimento de Deus produz frutos, produz obras (Ef 2.11), esboça misericórdia, sabedoria, paz. E para que possamos desenvolver uma espiritualidade bíblica saudável esse conhecer a Deus, ao qual o profeta Oseias nos convoca, deve ser algo contínuo e constante na nossa vida. Não cessa. Não fica estagnado, ele é crescente. E esse conhecer leva-nos progressivamente a santificação.

Quando crescemos na graça e no conhecimento, buscamos tanto estudar profundamente as escrituras quanto orar e confiar em Deus. É quando agimos de um modo onde a plenitude de Deus pode estar operante em nós que mostramos se estamos ou não extremando um desses atributos e esquecendo o outro. É quando usamos nossa mente para entender a Palavra e oramos para que Deus opere nos corações. Como expôs Jonathan Edwards: “Os Hipócritas [...] são como Efraim na antiguidade, de quem Deus reclamou muito e disse: ‘Efraim é um bolo que não foi virado. ’ (Os 7.8). Ou, como diríamos meio cru.”

É exatamente isso que devemos evitar. Não podemos ser ‘queimados’ demais de um lado e ‘crus’ do outro. Devemos sempre buscar crescer mais e mais em cada uma dessas duas atuações cristãs. Não nego que sempre haverá irmãos com um ministério mais enfático em um ponto ou outro, mas isso não deve ser em níveis desproporcionais. Nunca alguém por ter um ministério que enfatiza a Graça e o Poder de Deus pode andar longe da Palavra. Nem alguém que é usado por Deus como Mestre nas escrituras pode viver sem ter uma real intimidade com a manifestação do Espírito Santo. Embora cada um expresse Cristo de uma forma que os outros não podem, contribuindo para o equilíbrio da expressão coletiva de Cristo, a expressão individual deve ser equilibrada também.

Cresçamos tanto na Graça quanto no Conhecimento! Que nunca estejamos parados ou inertes, mas sempre buscando orar a Deus para que Ele possa multiplicar suas virtudes em nós.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira








quinta-feira, setembro 13, 2018

Resgatando a Piedade!!!


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“A piedade para tudo é proveitosa” (I Tm 4.8)
No capítulo 4 de I Timóteo, Paulo ordena: “Exercita-te a ti mesmo na piedade”. E ele continua: “Pois o exercício físico para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa”. Qual a razão de ser dessa ordem? Paulo está fazendo recomendações a Timóteo a fim de que ele seja um “bom ministro de Cristo Jesus” (vs 6). 
Quando falamos em piedade, logo vem a nossa mente a ideia de comiseração, compaixão, dó, pena. Mas essa não é a piedade cristã. O grande reformador João Calvino deu bastante ênfase sobre a piedade em seus escritos. Ele definiu da seguinte forma: “A verdadeira piedade consiste em um sentimento sincero que ama a Deus como Pai, ao mesmo tempo em que o teme e o reverencia como Senhor, aceita a sua justiça e teme ofendê-lo mais do que teme a morte”. Comentando esse assunto, Joel Beeke escreveu: “Para Calvino, piedade designa uma atitude própria para com Deus e obediência a Ele. Emanando do conhecimento de quem Deus é (teologia), a piedade inclui adoração sincera, fé salvadora, temor filial, submissão e amor reverente.” Para os puritanos, que redigiram a Confissão de Fé de Westminster bem como o Breve Catecismo de Westminster, o fim principal do homem é glorificar a Deus, esse é o alvo da piedade, e nós o glorificamos cumprindo a sua própria vontade revelada nas Escrituras.
Para o desenvolvimento de uma espiritualidade sadia se faz mais do que necessário cultivarmos uma vida de piedade.  Pelo texto de Paulo a Timóteo podemos entender claramente que a piedade é um exercício.  Da mesma maneira que temos que buscar santificação, sem a qual ninguém verá a Deus, temos que de igual modo cultivar uma vida piedosa na qual o alvo seja tão somente a Glória de Deus. Para essa busca de uma vida piedosa temos que lançar mão dos meios da graça, a saber: (a) oração: se olhamos para as Escrituras veremos que o próprio Cristo cultivava uma vida de oração. Por meio da oração somos levados a nos submetermos totalmente à vontade de Deus, expressando nossa total dependência à Ele, lançado sobre si todas as nossas ansiedades e confiando que ele tem o melhor para seus filhos e que podemos descansar n’Ele. Paulo exorta aos tessalonicenses acerca da necessidade e da importância da oração: “Orai sem cessar” (I Ts 5.17). (b) leitura bíblica: através das santas letras e de sua obediência, discernimos qual a vontade de Deus e o que Ele requer de nós. Calvino disse que a Escritura é Deus falando conosco como um pai fala com seus filhos. Paulo também falando ao seu amado filho Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste, e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.” (II Tm 3.14-17). (c) comunhão dos santos: Joel Beeke diz, que o progresso na piedade não é possível sem a igreja, pois ela [a piedade] é nutrida pela comunhão dos santos. Calvino fala que, sob a liderança de Cristo, os crentes amam e cuidam uns dos outros, apegando-se na distribuição mútua dos dons. Todas essas, além de outras, são formas do cristão progredir em piedade. No final do versículo oito Paulo explica porque a piedade para tudo é benéfica: “pois tem a promessa da vida que agora é e da que há de ser”.  
Precisamos resgatar mais do que urgentemente o cultivo de uma vida de piedade. Precisamos persegui-la como sendo um dos mais importantes alvos das nossas vidas, sabendo que ela para tudo é proveitosa. Assim, Paulo instrui seu amado filho a ensinar o povo, porque assim, ele seria um bom ministro do evangelho. Dessa maneira, nós nos tornaremos testemunhas de Cristo, anunciando a sua glória. Que o principio da reforma protestante do século XVI, o Soli Deo Gloria, seja não apenas um princípio, mas um desejo em nossos corações. Que sejamos, realmente, jovens piedosos.
Se quisermos desenvolver uma espiritualidade saudável e pautada pelas Escrituras precisamos cultivar uma vida de piedade. Ainda sobre o texto Paulo a Timóteo, o reformador francês, João Calvino diz: “Você fará algo de grande valor se, com todo o seu zelo e habilidade, se dedicar unicamente à piedade. A piedade é o começo, o meio e o fim do viver cristão. Onde ela é completa, não há falta de nada… O que precisamos entender é que devemos cultivar exclusivamente uma vida piedosa, pois, uma vez que a tenhamos atingido, Deus não exige de nós qualquer outra coisa”.

Que Deus nos ajude e tenha misericórdia de nós!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira