domingo, janeiro 08, 2017

Orare et Labutare!!! (Oração e Trabalho!!!)

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“E nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4).
Esse foi o discurso dos apóstolos no tocante a disputa que havia na igreja primitiva acerca da distribuição diária dos alimentos. Temos aqui a instituição do diaconato. Mas, o que queremos ressaltar é a fala dos apóstolos: “E nos dedicaremos à oração e ao ministério da palavra” (At 6.4). Não que seja algo degradante ou humilhante servir as mesas, pelo contrário era algo de suma importância. Todavia os apóstolos sabiam da importância e tinham convicção daquilo para o qual foram chamados.
Esse discurso dos apóstolos precisa ser resgatado urgentemente. Há uma falência grande nos púlpitos hoje. Vemos pessoas sendo mal alimentadas por mera negligência ou até por falta mesmo de conhecimento por parte de seus líderes. Se por um lado há uma falência, por outro há o terrível perigo de uma ortodoxia seca, árida e por muitas vezes morta. Uma ortodoxia exacerbada sem nenhum grau de piedade.
No texto de Atos (At 6.4) vemos o equilíbrio dos apóstolos em regar o ministério da palavra com uma vida de oração. Não há como divorciar a oração da palavra e ao mesmo tempo ter um ministério frutífero. É-nos mais do que necessário uma vida séria de oração aos pés da cruz de Cristo para que o Espírito Santo nos traga iluminação acerca da palavra de Deus. Se olharmos para a história da igreja, perceberemos que todo grande expositor das Escrituras eram homens de oração. Calvino, Lutero, Wesley, Whitefield, Spurgeon, Edwards e tantos outros, tinham vidas regadas pela oração.
O ativismo tem roubado de nós horas preciosas na presença do Senhor. Temos tempo pra tudo em nosso tão atarefado dia, menos para nos debruçarmos sobre o Santo Livro e nem para dirigirmos súplicas ao Santo Deus. O que eu acho incrível e ao mesmo tempo muito triste é que Deus vem falando desde o Antigo Testamento sobre isso e até hoje fazemos ouvido de mercador. O profeta Malaquias nos exorta da seguinte forma: “Porque os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e de sua boca todos esperam a instrução na lei, porque ele é o mensageiro do Senhor do Exércitos” (Ml 2.7), e como se não bastasse essa exortação de Malaquias ainda temos a assertiva dos apóstolos.
A dedicação ao estudo da Palavra e à oração é algo raro hoje em dia. Vemos um combate infantil no meio cristão entre dois grupos. Aqueles que estudam e se dedicam à busca do conhecimento e os que se dedicam apenas a buscar uma espiritualidade profunda. E em meio a esses dois grupos, um combate, os que buscam o conhecimento chama os espirituais de ignorantes bíblicos, já os que buscam a espiritualidade profunda se defendem dizendo que “a letra mata!” E quem perde com o isso? O Reino de Deus. 
Atentemos para as palavras dos apóstolos... “oração e palavra”. A ortodoxia deve sempre ser acompanhada pela vida de piedade. Esse foi um dos legados dos puritanos. Eles procuravam viver uma vida de intensa piedade alicerçada, é claro, nas Escrituras. Eles entenderam a assertiva dos apóstolos e a viveram intensamente para a glória de Deus. Infelizmente hoje mais do que qualquer outra época vivenciamos esse combate infantil em uma larga e crescente escala. Aqueles que alcançaram um certo grau de conteúdo teológico se julgam melhores que os demais. No meio reformado, infelizmente ao que parece, as pessoas são medias pelos títulos e não pelo seu caráter, testemunho e frutos. Não estou desmerecendo o conhecimento, de maneira nenhuma, pois a exortação de Oséias queima em meu coração: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta conhecimento!” (Os 4.6) O conhecimento é mais do que necessário, mas sem a iluminação e a unção do Espírito Santo não passa de mero conhecimento.
Outro exemplo de comunhão entre a ortodoxia e a piedade vem dos Morávios. Eles passaram 120 anos em oração ininterruptamente, tudo isso para que fossem revestidos de poder do alto para que pudessem se entregar sem reservas ao serviço do Senhor. Voltando à Bíblia encontramos Jesus exortando os seus apóstolos que para que pudessem realizar a obra de Deus necessitariam de revestimento de poder do alto. Esse revestimento ocorreu no dia de pentecoste e após o ocorrido Pedro se levantou e pregou poderosamente a Palavra e, pela graça, 3000 almas foram salvas por Deus, mas para que tão extraordinária salvação ocorresse foi preciso revestimento de poder. Pedro já tinha o conhecimento, pois tinha sido doutrinado pelo Supremo Pastor e Mestre, mas lhe faltava poder. E o revestimento só veio (claro que era uma promessa e certamente iria acontecer) depois de intensas reuniões de oração. Oração e Palavra não podem ser divorciadas pelo ego humano. Quer seja pela ênfase dada ao conhecimento pelos reformados quer seja pelas experiências espirituais dos pentecostais, precisamos entender que o que os apóstolos propuseram em At 6.4 está longe de ambas as ênfases. Sou reformado e creio numa ortodoxia regada pela fervorosa e sincera oração, e não somente no conhecimento pelo conhecimento como muitos reformados creem. Creio no Santo Espírito de Deus, mas não posso concordar com as sandices e os desatinos promovidos pelos pentecostais. As coisas de Deus requerem decência e ordem (I Co 14.40).
Nesse primeiro artigo de 2017 quero que repensemos nossas atitudes no tocante a nossa vida devocional. Temos muito o que aperfeiçoar e em contrapartida (e acima de tudo) mais ainda para sermos aperfeiçoados por Deus. O tempo que dedicamos à oração e estudo da palavra precisam ser revistos. A qualidade desse tempo também precisa ser corrigida. Tudo isso deve ser revisto. 
A nossa negligência deve ser abandonada e precisamos voltar as Sagradas Letras o quanto antes.  Precisamos também entrar em nossos quartos fechar a porta e orar ao Pai que está em secreto (Mt 6.6).

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira


segunda-feira, outubro 31, 2016

O Grito da Reforma!!!


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O mundo estava em transformação! As mudanças de paradigmas eram constantes! Essas mudanças ocorriam em todos os segmentos da sociedade, e como não poderia deixar de acontecer, a igreja medieval (romana) sofreu uma grande e incontestável influência dessas mudanças.
A igreja se portava imensamente arrogante do alto de toda a sua pomposidade. Sua ganância desmedida infligia ao povo altas taxas cobradas sob as desculpas de que o povo poderia comprar o perdão dos pecados e até abreviar o tamanho da punição divina que lhe seria imputada por Deus.
Em meio a tudo isso, a todos esses descalabros, um pequeno monge alemão, a saber, Martinho Lutero, se posicionou contrário a esses absurdos. Fico a imaginar duas situações na vida deste grande homem de Deus, uma é real e a outra uma hipótese da mente deste pecador metido a escritor; a) o momento em que este homem subia de joelhos os degraus da catedral de Roma, e sentiu em seu coração ressoarem as palavras contidas na carta de Paulo aos romanos “o meu justo viverá por fé”, e b) e outro texto também da carta aos romanos martelando na mente e fazendo se encher de convicção o coração de Lutero com sua inquestionável verdade enquanto este redigia as suas 95 teses o texto em questão era “não se amoldem ao padrão desse mundo, mas transformem-se pela renovação da vossa mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1-2).
Será que a situação atual da maioria das igrejas hoje, não é similar a da igreja medieval (romana)? Naquela época o papa se colocava como infalível e plenamente santo. Hoje a figura papal continua igual, mas no que tange a igreja protestante, uma gama de “pastores” se colocam acima do bem e do mal e pousam como se fossem “senhores” e “donos” da igreja. Tais bufões se assemelham a figura papal no que concerne aos mandos e desmandos, e também na exploração da fé do povo. Usando de uma interpretação deturpada das Santas Letras tais líderes acham bases para darem ocasião a uma enormidade de absurdos em nome de uma fé torta, oriunda de uma pregação errônea e manipuladora proveniente de homens descompromissados com as verdades sagradas das Escrituras. Esses homens, muitos deles midiáticos pousam como santos, mas não passam de inescrupulosos e gananciosos que se aproveitam da cegueira do povo para encherem seus bolsos e assim engordarem suas contas bancárias.
O que mais me espanta é o fato de que a cada dia que passa mais e mais pessoas se rendem ao evangelho que esses homens pregam. O Sola Scriptura, um dos famosos cinco solas da Reforma Protestante, caiu totalmente em desuso. O povo não examina mais o Santo Livro para comprovar se o que estão ouvindo está realmente com as verdades de Deus reveladas nas Escrituras. Os bereianos ouvindo Paulo (vejam bem era Paulo que estava pregando), mas examinavam as Escrituras para comprovar se o que o apóstolo falava estava de acordo com as Escrituras. Vejamos o que Lucas registra sobre os bereianos: “Ora, estes foram mais nobres do que os que estavam em Tessalônica, porque de bom grado receberam a palavra, examinando cada dia nas Escrituras se estas coisas eram assim” (At 17.11). O povo hoje engole qualquer coisa. Alimentam-se de comida de má qualidade e bebem de cisternas rotas: “Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram para si cisternas, cisternas rotas, que não retêm as águas” (Jeremias 2:13). Contudo, Deus em sua graça ainda preserva um remanescente que lhe é fiel. Ainda há 7000 que não se dobraram diante de baal e que ainda pregam e vivem o verdadeiro evangelho da graça de Cristo.
É nítido que precisamos de uma reforma! A fé protestante necessita de uma profunda renovação, e por renovação devemos entender o seguinte: precisamos mais do que nunca voltar às Escrituras. Precisamos resgatar os princípios da reforma protestante que assolaram o mundo a partir de 1517, a saber, os cinco solas: Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus e Soli Deo Gloria! Precisamos orar incessantemente a Deus por avivamento! Avivamento que nos leve rendido aos pés de Cristo, o Rei dos Reis! Essa é a renovação na fé que precisamos.
Não podemos aceitar a atual situação da fé cristã! Por conta de uma raça de víboras o evangelho da graça e a fé cristã se tornaram meros objetos e meios para se arrancar dinheiro e bens de uma grande parte dos fiéis. Não podemos esperar que Deus ressuscite a Lutero ou quaisquer outros reformadores para que estes promulguem uma nova reforma.  Somos nós que temos que levar adiante o legado deixado pelos reformadores. 
O grito da reforma precisa ser ouvido novamente em nosso país e também no mundo. Nas palavras do reverendo Augustus Nicodemus: “O grito da Reforma precisa ser ouvido no nosso país! Onde seitas que se dizem evangélicas, negociam e comercializam a salvação. É pela graça, não por obras, não por mérito, não é por nada que nós fazemos!”

Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria!!!
Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

"Ecclesia reformata et semper reformanda est" (A igreja reformada está sempre se reformando)


Joel da Silva Pereira

terça-feira, outubro 11, 2016

Escravos!!!


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A verdade incontestável é que Deus criou o homem a sua imagem e semelhança (Gn 1.26-27). Deus criou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego (espirito, do hebraico ruah) e ele passou a ser alma (do hebraico nephesh). O homem é a coroa da criação. A origem do homem é divina. O homem foi criado para glorificar a Deus.
O homem é um ser moral e espiritual. Deus dotou o homem com uma consciência, que servia de tribunal para nortear suas decisões. O homem em seu estado natural era perfeito.  A Bíblia relata que um momento determinado a antiga serpente, o Diabo, lançou mão para tentar o homem e encheu a mente e o coração de Eva com ideias mirabolantes que fizeram com que ela pecasse e como se não bastasse Adão também foi envolvido nessa trama diabólica e também pecou. Com a queda de Adão, toda a raça humana foi mergulhada no pecado. Por um só homem entrou o pecado no mundo e pelo pecado a morte e a morte passou a todos os homens (Rm 5.12).
Agora por causa do pecado, não refletimos mais com clareza a imagem de Deus. O pecado atingiu todas as áreas das nossas vidas. Não há nada em nós que não seja afetado pelo pecado. O homem tornou-se praticante do pecado e escarvo dele. O homem está totalmente depravado. Naturalmente o homem, não discerne (não tem entendimento), pois está morto em seus delitos e pecados (Ef  2.1).
Com a queda o homem tornou-se objeto da ira de Deus. A Bíblia é clara quanto a isso: “A ira de Deus se revela do céu contra toda a impiedade e perversão dos homens que detêm  verdade pela injustiça” (Rm 1.18)
A ira de Deus não é injusta, mas sim uma resposta certa de um Deus justo contra uma afronta desmedida contra sua santidade.
O pecado dos nossos pais (Adão e Eva) no nosso ponto de vista não foi um pecado trágico. Não foi um adultério, um furto ou um estupro, mas apenas um simples ato de desobediência. Porém, aos olhos de Deus foi algo terrível, pois Ele é tão puro de olhos que não pode comtemplar o mal (Hc 1.13 a).
O pecado do homem é merecedor da ira de Deus, ou seja, o castigo de Deus para o homem é justo pelos seguintes aspectos: O homem em sua queda afrontou a santidade de Deus; O homem era a coroa da criação feito à imagem e semelhança de Deus, com o pecado essa imagem foi deformada; O homem tinha um relacionamento singular com Deus e esse relacionamento foi quebrado por conta do pecado.
Outra consequência do pecado é que ele tirou do homem a sua liberdade. O homem se tornou um praticante e escravo do pecado. Em toda a sua constituição o homem foi afetado pelo pecado. A mente, o coração e todas as suas ações estão contaminadas pelo pecado. O pecado atingiu todas as áreas da nossa vida: nosso corpo e nossa alma, nossa razão e nossos sentimentos. Somos um ser ambíguo e contraditório. O bem que queremos fazer não o praticamos e o mal que não queremos, esse o fazemos (Rm 7.19).
Na criação, Deus proveu o homem com um adjutorium (uma ajuda, um auxílio), uma assistência graciosa certa para o bem.
Após a queda, o homem foi entregue ao pecado, para seguir os planos maus da sua mente. Seu coração é agora cheio de dolo e seus desejos são continuamente maus.
Não há como tentar encobrir que o homem, por conta da queda de nossos pais, está morto em seus delitos e pecados, e nem que ele só poderá responder positivamente a Deus unicamente se for convencido, pelo Santo Espírito, do seu pecado, da justiça divina e do juízo ao qual estão destinados todos os pecadores.
Somos dignos merecedores da ira divina por conta do nosso pecado, mas em sua soberana e irresistível graça aprouve a Deus nos salvar por Jesus Cristo, pela fé que nasce ouvindo a pregação genuína do evangelho da cruz. Pregação do evangelho que não mostra o homem morto em seus pecados e que não fala no sacrifício do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo, não é a genuína pregação.
Nas palavras de John Newton: “Oh! graça sublime do Senhor/Perdido me achou/Estando cego, me fez ver,/ Da morte me salvou./A graça me fez enfim temer,/E o meu temor levou;/Oh! Quão preciosa é para mim,/A hora em que me salvou. É assim que acontece com os que são e que ainda serão chamados segundo os desígnios do Criador.

Sola Gratia!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira



domingo, junho 19, 2016

Mensagem Mascarada!!!!

O bispo Ryle, em seu livro Santidade, afirma que pecado “é aquela vasta enfermidade moral que afeta a raça humana inteira, em todas as classes e níveis, nas nações, povos e línguas – uma enfermidade da qual apenas um único homem nascido de mulher esteve isento”. Essa verdade não é mais tão propagada como antes. Ao que parece não existe mais uma preocupação e nem uma necessidade latente de fazer o homem cônscio de sua morte em delitos e pecados.  Se realmente nos vemos como igreja, e essa igreja deve glorificar a Deus e se satisfazer por toda a eternidade, temos que entender que para isso temos duas coisas à fazer, a saber, denunciar os pecados e buscar a edificação dos santos.
Externando uma preocupação semelhante a do bispo Ryle, o pastor Charles Leiter, em seu livro Justificação e Regeneração, diz que o pecado é problema final e, de fato o único problema da humanidade. Independente de qual seja a época e os tempos, podemos ver que é preciso, sim, mostrar a humanidade que a queda de Adão causou a depravação total de toda a raça.
Infelizmente vivemos dias onde a pregação das sagradas doutrinas da graça perdeu fôlego, mas para a glória de Cristo há um remanescente fiel que se mantém firme e constante na exposição das sãs doutrinas do evangelho da graça de Cristo. Lutero, em uma das suas 95 teses, assevera que o maior tesouro da igreja é o evangelho da graça de Cristo. Só que esse evangelho dia após dia vem sendo mais e mais deturpado, a ponto de sua exposição não ser o meio pelo qual os pecadores se tornam cônscios de sua natureza depravada.  
A teologia das igrejas neopentecostais aliada à covardia e falta de compromisso de muitos, que se dizem “arautos” do Senhor, são de enorme contribuição da atual escassez de pregações acerca da doutrina do pecado. As igrejas neopentecostais tiram os textos bíblicos dos seus contextos e expõem um evangelho humanista, um evangelho água com açúcar que endeusa o homem e o retratam como um ser que apenas age em reposta a um meio que está corrompido. Mas, daí surge a seguinte a indagação: “quem corrompeu esse meio?”. Já os “arautos” covardes vendo o crescimento numérico de tais igrejas, se utilizam de práticas pragmáticas para aumentarem seus rebanhos. É nesse contexto que entram as pregações humanistas, mensagens de autoajuda, exposições bíblicas que nada tem a ver com o verdadeiro evangelho da graça. Tais mensagens iludem o homem pecador e o coloca numa espécie de ilusão, na qual ele se sente como alguém a quem Deus deve submissão, e Deus tem a obrigação de atender aos mais depravados e estapafúrdios desejos de um ser que está morto em seus delitos e pecados, mas é aqui que vemos o erro desse povo, suas mensagens não contêm nada acerca da doutrina do pecado. Nessas mensagens o homem não é apresentado como alguém que está morto, mas sim como alguém "bonzinho"  que apenas se desviou um pouco do "caminho". Nessas mensagens o homem precisa apenas levantar a sua mão e instantaneamente se torna "um salvo".
Contemplando esse terrível quadro da igreja hoje, nos parece que voltamos aos tempos de Lutero, onde a igreja só se interessava em aumentar o seu poderio numérico, político e acima de tudo financeiro.  Com uma igreja que pensa e age dessa forma, não há espaço nesse tipo de igreja para a sã doutrina e muito menos para denúncia pública dos pecados dos ouvintes.  Não vale a pena,do ponto de vista dessas igrejas e seus líderes, a genuína pregação do evangelho. Pregar a Bíblia e denunciar o pecado simplesmente são vistos como algo que causa esvaziamento de suas igrejas, e isso não é bom para os negócios. Pensar e agir assim chega a ser abominável.  Será que essas pessoas acham que Deus as deixará sem a devida paga por tão hediondo erro? Será que nunca leram em suas Bíblias que de Deus não se zomba e nem se escarnece (Gl 6.7)?
Se realmente somos filhos de Deus não podemos nos eximir da responsabilidade de denunciar o pecado do homem. As boas novas do evangelho inevitavelmente passam pela denúncia dos pecados. Em seu sermão no dia de pentecostes Pedro asseverou:"E disse-lhes Pedro: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados..."(At 2.38).  A verdadeira pregação que exalta a Deus expõe a necessidade do arrependimento dos pecados. Esse texto deveria fazer a diferença e servir de parâmetro para os pregadores da bendita Palavra de Deus: "Quando eu disser ao ímpio: Certamente morrerás; e tu não o avisares, nem falares para avisar o ímpio acerca do seu mau caminho, para salvar a sua vida, aquele ímpio morrerá na sua iniquidade, mas o  seu sangue, da tua mão requererei" (Ez 3.18).
O pecado deve ser confessado e abandonado. O homem precisa ser alertado sobre o seu estado de morte espiritual, e é nosso dever pregar o verdadeiro evangelho. Paulo escrevendo aos Corintios disse:"Porque se anuncio o evangelho, não tenho do que me gloriar, pois me imposta essa obrigação; e ai de mim, se não pregar o evangelho!" (I Co 9.16). Devemos anunciar o verdadeiro evangelho da graça de Cristo, e dessa forma denunciar o pecado e anunciar a salvação na pessoa bendita e gloriosa de Cristo.  Que Deus em sua soberania nos constranja a sermos pregadores fiéis do verdadeiro evangelho de Jesus.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!


Soli Deo Gloria!!!


Joel da Silva Pereira 


domingo, junho 05, 2016

Raposas & Raposinhas!!!



“Apanhai-me as raposas, as raposinhas, que devastam os vinhedos, porque as nossas vinhas estão em flor” (Ct 2.15), essas são palavras de Salomão a respeito daquilo que pode destruir uma vinha.Se entendermos a nossa vida como uma vinha seremos cônscios de que esse texto infelizmente pode se aplicar totalmente a nossa geração.
A pecaminosidade está banalizada a tal ponto, que não há mais vergonha pelos pecados cometidos. Se olharmos para a nossa história recente e fizermos a seguinte pergunta: “quando foi a última vez que saímos dos nossos cultos aos prantos em virtude dos nossos pecados e por termos sido quebrantados pelo Santo Espírito de Deus?” A resposta chega a ser dantesca. Ao que nos parece, não há mais confissões de pecados em nossos cultos. Há um ensino distorcido que os pecados que devem ser confessados são aqueles que chocam e/ou que causam situações vexatórias. Se não houve um adultério, um grande roubo, e/ou, na pior das hipóteses, um atentado contra a vida de alguém, então não houve pecado para que seja necessário uma confissão e muito menos arrependimento. Pelo que podemos observar essa é a prática adotada hoje na maioria das igrejas.
O texto de I João 1.9, “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça”, ao que parece só se aplica unicamente aos casos dos grandes pecados, porém estamos nos esquecendo das raposinhas que podem devastar toda uma vinha.
Em seu livro, Pecados e Pecadinhos, o Dr. Russell Shedd faz uma analise de uma série de pecados que deixamos passar com tanta facilidade que, sem que percebamos, nos torna insensível à voz do Santo Espírito e acaba por nos afastar de Deus. Em nossa insensibilidade culpamos de A a Z . Culpamos a Deus que parece que não quer mais falar conosco, quando na realidade somos nós que por conta dos nossos pecados nos distanciamos Dele. Culpamos o diabo, pois ele já é mentiroso e homicida desde a eternidade. É mais fácil condenar e repreender a ação do diabo em nossas vidas, do que reconhecermos que somos pecados e que carecemos desesperadamente da graça de Cristo Jesus em nossos corações.
Os discursos que saem hoje dos púlpitos das igrejas são humanistas e antropocêntricos e só massageiam o ego dos ouvintes, que ao final de uma preleção recheada de uma verborragia emotiva e de vários versículos fora dos seus contextos são convidados a aceitarem a Jesus como salvador. Tais conversões estão longe de serem verdadeiras e cristocêntricas. São conversões por conveniência. Os “convertidos” só ficarão nas igrejas enquanto se sentirem bem ou abençoados.
As mensagens de hoje não mais denunciam os pecados dos homens e nem expressam uma real necessidade de que tais homens se arrependam, e assim confessem seus pecados, antes elas promovem uma salvação sem que haja necessidade de arrependimento e perdão de pecado sem a confissão dos mesmos. Nada poderia está mais longe da realidade bíblica.
Retornamos, então, ao texto de Cantares de Salomão que nos exorta que devemos apanhar as raposas sem que nos esqueçamos das raposinhas, pois estas devastam toda uma vinha. As pregações de hoje só condenam os grandes pecados, mas daí nos vem a seguinte a indagação: “Para Deus a pecado pequeno e pecado grande?” O que a Bíblia nos mostra é que, pecado é pecado e ponto final. Tanto faz que matemos, roubemos ou tão somente que cometamos um simples ato de desobediência, para Deus tais coisas são pecados e que não podem ficar impunes.  
As raposinhas vão penetrando em nossas vidas e corações e por fim se entronizam em nosso viver a tal ponto que nos tornamos seus reféns e isso é algo terrível, pois nos impede de crescermos na graça e no conhecimento.
As raposinhas podem assumir quaisquer formas. Podem ser o mau hábito de colar nos trabalhos escolares, amizades errôneas, atos furtivos de desobediência aos pais, relações amorosas com descrentes, calúnias e falsos testemunhos, arrogância, orgulho, soberba, guardar ira, fomentar intrigas, e tantas outras cousas se enquadram nesse contexto e que as ignoramos por não serem “grandiosas”.  Essas raposas nos roubam o tempo que teríamos que dedicar à estarmos na presença do Nosso Pai Celeste, nos tira dos cultos das nossas igrejas e da comunhão com os nossos irmãos. Com o passar do tempo, não temos nem mais prazer em meditar nas Escrituras, pois precisamos alimentar as nossas raposinhas. E ainda pousamos de santos, e batemos no peito e bradamos: “não roubo, não mato e nem faço outras coisas desse gênero, então não sou tão pecador assim”, esse discurso é fruto de um coração endurecido, de uma mente embotada e corrompida pelo pecado a ponto de causar tamanho grau de cegueira espiritual que não enxergamos que estamos mortos e distantes, muito distantes de Deus e de sua graça.
Somos uma geração mimada e cheia de gostos duvidosos, pois coamos um mosquito e nos engasgamos com um camelo (Mt 23.24). Deveríamos andar na contramão do mundo, mas não tem sido essa a nossa prática, antes temos permitido que o mundo adentre em nossas igrejas por conta da nossa conduta, e assim cada vez mais nos assemelhamos ao mundo e nos distanciamos de Deus.
Porém Deus em seu rico e imerecido amor no convoca a Ele: “Ainda assim, agora mesmo, diz o Senhor: ‘Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, com choro e com pranto. Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus, porque ele é misericordioso, e tardio em irar-se, e grande em benignidade... ’” (Jl 2.12-13)
Que sejamos sóbrios e vigilantes para que não permitamos que as raposas e raposinhas devastem as nossas vidas com Deus!!!

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Soli Deo Gloria!!!

Joel da Silva Pereira




segunda-feira, abril 04, 2016

A Mensagem da Cruz!!!



A mensagem da cruz parece que foi banida dos púlpitos. O evangelho de Cristo é o evangelho da cruz. Paulo escrevendo aos gálatas asseverou: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema” (Gl 1.8), e ele prossegue: “Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema” (Gl 1.9).
Muitos hoje contemplam a cruz como algo vergonhoso e de derrota, só que foi na cruz que Cristo Jesus despojou principados e potestades (Cl 2.14-15), ou seja, se hoje somos mais que vencedores em Cristo, se deve ao fato de que houve uma cruz e nela o Cordeiro de Deus foi em nosso lugar imolado.
A mensagem da cruz está quase que banida dos púlpitos por ser uma mensagem confrontadora e aterrorizante. Ela não massageia o ego do homem, não é impregnada de lisonjas de autoajuda, ou seja, não é uma mensagem antropocêntrica.  As mensagens que saem dos púlpitos hoje não falam mais a mensagem da cruz e as canções cantadas nos nossos cultos passam longe do Calvário.
Um dos mais belos hinos do Salmos & Hinos (hinário congregacional) tem a seguinte letra:
“No Calvário se ergueu/ uma cruz contra o céu/ como emblema de afronta e dor/Mas, eu amo a mensagem da cruz/Foi ali que Jesus / deu a vida por mim pecador”...
Esse é um dos hinos mais emblemáticos dos hinários das igrejas confessionais. Esse hino traz em seu bojo uma das maiores verdades do cristianismo e que hoje está sendo relegada a alguma coisa vergonhosa e que causa repúdio, por isso ela não se encontra mais sendo propagada nos púlpitos modernos. 
H. C. Trumbull disse: “o calvário mostra como os homens podem ir longe no pecado, e como Deus pode ir longe para salvá-los”.  A cruz de Cristo é uma verdade incontestável do amor de Deus para a salvação de todo aqueles que foram e que serão alcançados pela graça irresistível.  Não há a menor possibilidade de se pregar um evangelho sem cruz. Se se prega um evangelho sem cruz, então não é evangelho.
A cruz é o ponto culminante da inimizade que há entre Deus e o homem. Desde a eternidade, uma cruz tinha sido assegurada e o Salvador nela haveria de ser pregado, para vergonha de todos, contudo para a salvação de muitos.
A vida cristã passa obrigatoriamente pela cruz de Cristo. Não há como se desvencilhar da cruz, exceto se for o caso de não ter ocorrido um novo nascimento autêntico. Todo e qualquer cristão verdadeiro sabe que o caminho estreito deve ser percorrido sob a realidade de uma cruz.
 Ainda hoje a cruz é vista como um símbolo de derrota. Sim, a cruz é um símbolo de derrota, mas derrota do inimigo de nossas almas. O que para muitos é derrota, para os eleitos de Deus é o inicio da vida com Cristo.
 Os “mensageiros” de Deus hoje não ousam mais a falar da cruz de Cristo em seus púlpitos. Ao que nos parece, falar da morte expiatória de Cristo no madeiro tornou-se algo vergonhoso e que deve ser mantido longe do conhecimento dos rebanhos. Talvez, não se pregue tanto a respeito do madeiro maldito porque tenhamos medo de que o povo não aceite a figura do seu Salvador em estado de lástima, de sofrimento e de abandono que é tão contrastante com a figura do Deus Soberano do universo.
A mensagem da cruz é odiosa porque mostra a insuficiência do ser humano e sua total incapacidade no tocante a sua salvação. Se por um lado ela é odiosa, por outro ela é a maior prova de amor da história do mundo, pois nela em sua soberania Deus ceifou a vida do Seu Filho Unigênito para salvar àqueles que forem pelo Espírito Santo convencidos do pecado, da justiça e juízo.
Precisamos voltar ao Gólgota para contemplarmos em submissão e arrependimento a cruz do Salvador, a cruz do Redentor, a cruz do Filho de Deus, a cruz de Cristo, pois foi nela que Ele cancelou o escrito de dívida que era contra nós.

Que Deus tenha misericórdia de nós e nos ajude!!!

Voltemo-nos à cruz de Cristo!!

Soli Deo Gloria!!!


Joel da Silva Pereira

sexta-feira, janeiro 29, 2016

Chamado à Oração!!!



Uma das áreas que a nossa geração mais falha hoje é no tocante a vida de oração. A nossa geração desaprendeu a andar de joelhos. Uma coisa que eu não consigo entender é como uma pessoa que se diz servo de Deus e não tem uma vida de oração. Ao mergulharmos no Santo Livro encontramos o relato que o próprio Jesus se retirava para lugares isolados e se derramava em oração (Mc 1.35). Se o próprio Deus, que se fez carne e habitou entre nós, tinha uma vida de oração, por que nós, que dizemos ser servos seus, não cultivamos uma vida de oração?
Indo para a história da igreja, nos deparamos com um dos maiores exemplos de dedicação a uma vida de oração, que para alguém hoje que se diz cristão chega a ser constrangedor e algo vergonhoso. Estamos falando acerca dos Morávios, que sob a liderança do Conde Zinzedorf iniciaram o maior movimento de oração que se tem noticia. Os morávios passaram um século aos pés do Senhor lutando em oração. Os morávios entendiam que a maior e melhor arma que eles tinham para avançarem no Reino e assim servir a Deus de todo coração, era a oração. O lema dos morávios era “Vicit Aguns Noster, Eum Sequamur” (Venceu o Nosso Cordeiro, Vamos Seguí-Lo). Será que a geração segue verdadeiramente o Cordeiro? Não estamos dizendo que devemos passar um século de oração (se bem que não é uma má idéia), mas que devemos sim ter uma vida de oração mais intensa e verdadeira.
Ainda olhando para a história da igreja é perceptível que todo homem e toda mulher que Deus levantou para fazer a sua vontade e proclamar as verdades do seu evangelho eram pessoas que tinham uma vida intensa de oração. Nós hoje nos alegramos (e corretamente) quando Deus responde uma oração nossa. Agora imaginemos se Deus respondesse 50.000 orações nossas, o que faríamos? Isso ocorreu com George Müller. Um homem levantado para pregar a palavra e ser pai de muitos órfãos. Ele alimentou, vestiu e abrigou em seus orfanatos inúmeras crianças, e tudo isso só foi possível porque ele era um homem de oração, e acima de tudo Deus em sua Onipotência foi gracioso e o abençoou ricamente.
Sinto vergonha de mim mesmo, quando ao ler livros acerca da vida dos grandes homens e mulheres de Deus, me deparo com a informação de que todos eles, sem exceção, eram pessoas que tinham uma intensa vida de oração. Uma vida regrada, sistemática. Eles (as) iniciavam o seu dia indo à presença santa do Mestre buscando força, refúgio, graça, unção e sabedoria para suas vidas para que dessa forma pudessem ser capazes de cumprir a vocação para a qual foram chamados.
A oração na igreja hoje está à míngua. Espanta-me conhecer o fato de que o pastor Jonanthan Edwards dispensava treze horas do seu dia para estar a sós com Deus, em oração e leitura devocional da Bíblia (outra coisa rara em nossos dias), quando nós nos recusamos a ir aos cultos de oração. Um dos fatos mais impactantes da vida de Edwards é o da ocasião do seu famoso sermão Pecadores nas mãos de um Deus irado (vale à pena ler esse sermão). Ele foi escolhido para pregar dentre alguns pastores e na metade da exposição à convicção de pecado se abateu de forma tal sobre a igreja que o pessoal pediu para que ele parasse a exposição porque o inferno estava se abrindo sob os pés dos ouvintes. O que poucos sabiam é que Edwards passara três noites e três dias sem se alimentar e sem dormir em inteira e total comunhão com Deus. Por isso que os efeitos desse tão afamado sermão ecoam até os dias de hoje. Essa é uma genuína demonstração daquilo que nos falta hoje.
A Bíblia nos mostra algo sublime acerca da oração. Os discípulos já demonstrando uma mudança significativa em suas condutas se aproximaram de Cristo e disseram-lhe: “Senhor, ensina-nos a orar!” O importante de se observar é que eles não pediram poder para expulsar demônios, fazer “aviãozinho” no meio da sociedade judaica, nem para marchar, nem para derrubar uma multidão com o “sopro de espírito”, nada disso. Eles simplesmente pediram ao Mestre que os ensinasse a orar (Lc 11.1).
As nossas orações são vazias e insensíveis! Jesus nos conta acerca de dois homens que subiram ao templo para orar. Cada um orava a sua maneira. E a maneira como cada um orava depõe contra eles. Um era fariseu e se orgulhava de sua posição, e possivelmente de sua linhagem e fazia uma oração pomposa e totalmente arrogante e egoísta; enquanto que o publicano (um judeu que trabalhava para o Império Romano, em sua maioria como coletor de impostos, e assim se tornava um inimigo do seu povo, sendo taxado de traidor) orava cabisbaixo e se humilhava verdadeiramente aos pés de Cristo (Lc 18. 9-14). Cristo conclui dizendo que o publicano que se humilhava reconhecendo sua condição de pecador miserável foi para casa justificado, enquanto que o fariseu orgulhoso, arrogante e cheio de pompas não teve sua oração respondida. Nossa geração está orando com um coração farisaico.
Que Deus nos faça ter um coração quebrantado e contrito, pois a um coração assim o Senhor não desprezará (Sl 51.17).

Que Deus nos ajude e nos desperte para que voltemos a avançar de joelhos!!

Soli Deo Gloria!!!


Joel da Silva Pereira