Temos
que cultuar a Deus de acordo com a Sua vontade. Quando nos debruçamos sobre as
Sagradas Escrituras, mais especificamente sobre o livro do profeta Malaquias,
vemos, que a realidade vivenciada pelo profeta não é tão diferente da nossa.
Nas palavras do reverendo Augustus Nicodemus: “o livro assim como os dias que
hoje vivemos situa-se num contexto no qual adorar a Deus parece não fazer a
diferença visível na vida dos que o buscam constantemente nos locais de culto”.
Os
cristãos não entendem o privilégio imerecido que têm de adorar a Deus,
sendo-lhe leal e executando assim a sua boa, agradável e perfeita vontade.
Assim
como hoje, nos dias do profeta Malaquias o culto era vazio e superficial. O que
vemos hoje é a realidade dos tempos de Malaquias onde os sacerdotes haviam se
corrompido e estavam desmotivados, e dessa forma prestavam a Deus um culto não
condizente com a Sua Glória e Majestade.
Nessa
mesma linha de pensamento o príncipe dos pregadores, Charles Haddon Spurgeon,
disse: “o fato é que muitos gostariam de unir igreja e palco, baralho e oração,
danças e ordenanças. Se nos encontramos incapazes de frear essa enxurrada,
podemos, ao menos, prevenir os homens à sua existência e suplicar que fujam
dela. Quando a antiga fé desaparece e o entusiasmo pelo evangelho é extinto,
não é surpresa que as pessoas busquem outra coisa que lhes tragam satisfação.
Na falta de pão, se alimentam com cinzas; rejeitando o caminho do Senhor,
seguem avidamente pelo caminho da tolice”.
Assistimos
a meros shows gospel, pois, foi nisso que o culto das maiorias das igrejas se
transformou. Um culto assim leva o povo ao desânimo, e faz com que o amor pelas
coisas de Deus diminua, levando o povo a se dispersar e a sair em busca de seus
próprios interesses; algo que lhes satisfaça, nem que para isso tenham que
trilhar o caminho da tolice como bem disse Spurgeon.
Martyn Lloyd-Jones em seu livro Estudos no
Sermão do Monte nos diz que “a mais notável característica da igreja atual é a
sua superficialidade”. Essa verdade foi asseverada em 1959, o Doutor, como era
conhecido (Martyn Lloyd-Jones), parece que estava descrevendo a nossa realidade
onde a superficialidade impera e o amor de muitos esfria. “Então como cultuar a
Deus sendo tão superficiais?” “O que nos difere dos sacerdotes dos tempos do
profeta Malaquias, que se apresentavam diante de Deus de qualquer maneira e
prestavam um culto e uma adoração deturpada e vil?”
Se
tivéssemos que definir CULTO, creio que a melhor definição nos foi deixada por
William Temple ex-arcebispo de Canterbury: “cultuar é vivificar a consciência
pela santidade de Deus, alimentar a mente com a verdade de Deus, purificar a
imaginação pela beleza de Deus, abrir o coração para o amor de Deus, devotar à
vontade ao propósito de Deus”. Se colocarmos os cultos de hoje sob o crivo
dessa definição estamos até piores do que os sacerdotes dos dias do profeta
Malaquias.
O
culto deve ser centrado na pessoa e na Palavra de Cristo, mas, o cativeiro do
humanismo (ver o artigo anterior) aprisiona o homem em si mesmo e o faz adorar
a criatura ao invés do Criador. A restauração do verdadeiro culto a Deus é um
processo lento, demorado e progressivo e que acima de tudo é mais do que
necessário. Para que tal restauração aconteça é necessário entendermos o que
Jesus mesmo ensinou acerca do culto. Jesus restaurou o culto a Deus em um
ambiente hostil e bastante estranho. Ele não o fez no Templo em Jerusalém como
era de se esperar, mas o fez à beira de um poço em Samaria, e isso em um
encontro com uma mulher que estava a tirar água do poço. Jesus, em uma simples conversa à beira de um
poço com uma mulher samaritana ensinou como deve ser o verdadeiro culto a Deus,
contudo estamos muito distante das verdades asseveradas por Nosso Senhor Jesus
Cristo! O culto que ora prestamos é frio e antropocêntrico, o que está
totalmente dos padrões que Cristo expôs à mulher samaritana, o que infelizmente
vemos é uma terrível semelhança com os tempos do profeta Malaquias. Temos que ter consciência de que Deus tem
zelo por seu nome, por sua glória e sua reputação, tudo isso estava sendo
deixado de lado pelos sacerdotes dos tempos de Malaquias e temos que reconhecer
que não estamos tributando a Deus a honra e glória que lhe são devidas. Nas
palavras do reverendo Augustus Nicodemus “o culto é a expressão pública do que
a igreja acredita sobre Deus, sobre si mesma e sobre a salvação. Portanto, o
culto é um assunto muito sério.” Estamos muito distante da verdade asseverada
nessa citação. Encerro esse post citando novamente o reverendo Nicodemus: “As
pessoas podem até querer adorar a Deus do seu modo, mesmo estando cheias, mas
quem regula o culto a Deus é ele mesmo, não nós. Não devemos inventar uma
maneira própria de adorar a Deus, pois ele dirá que o que está sobre o altar é
pão imundo”.
Que
Deus tenha misericórdia de nos ajude!!!
Soli
Deo Gloria!!!
Joel
da Silva Pereira
Muito bom artigo, Joel. Hoje estive num culto em que não me agradei da música, nem da dança sugerida e senti falta de mais pregação, embora tenha sido dado espaço para a oração.
ResponderExcluirQuando alguém me pergunta se o culto foi bom, penso em responder: "Pergunte para Deus, que foi quem recebeu!". Da mesma forma, culto de jovens não é para jovens e sim deles para Deus.
Outra coisa que deve ser habilitada em nós, ao subir à Casa do Senhor (ou descer, dependendo do referencial) é o nosso temor a Deus. Onde esperamos encontrar santidade? Na igreja! E carnalidade? Seria bom que pudéssemos nos humilhar na presença do Altíssimo a cada culto, e que iniciássemos a preparação antes mesmo de sair de casa.
Obrigado, Joel, pelo compartilhamento de tão agradável conhecimento. Abraço e muito amor, graça e sabedoria, no Amado.
Ricardo Gabriel
oferecer culto a Deus é um privilégio para o homem, infelizmente muitos não tem noção da responsabilidade disso e acabam negligenciando um momento tão importante que é o culto de louvor e adoração a Deus. Deus tenha misericórdia de nós!!
ResponderExcluirMuito bom artigo!!